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sexta-feira, 26 de julho de 2013

pra onde se vê...



pra onde se vê...

Como eu queria escrever poemas
Lançar seus olhos em versos dentro de mim
Nunca mais deixá-los tocar outras vias
Tê-la a ti dentro e fora do meu tormento
Tornar eterna a fagulha do seu esquivo
Beber seu cheiro em taça do corpo seu
Mas em deslizes
Caiu minha existência sobre a sua
Rabiscou-se no muro alguns ditos
Em outras esquinas, malditos, mais ditos
Circundei suas veredas e foi-se sertão
Distante como os esquecimentos
Ausente feito morte
Quente qual vida em gozo
Quando acordou-se
O mundo era outro
Havia apenas uma face
Nem minha e sua
Nem sua e minha
Toda maneira de partir é criar
Quando regressar
Torno também
Pois partida e chegada é uma só quando é um o olhar...

B.

domingo, 12 de maio de 2013

“de você sei quase nada”




“de você sei quase nada”

sei pouco dos seus mares,
sei menos ainda de seus ares,
sei tampouco de suas quedas,
sei alhures de seus desvios,
sei pouquinho dos seus choros,
sei menos ainda de seus amores,
sei só que estou em apuros,
depois que foram meus seus olhares...

B.
outono.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

do que não sei

do que não sei

do que não sei é da chuva,
que não para,
que insiste em tilintar ali fora,
que tem pingos próprios,
que corre,
que molha o telhado ao lado,
do que não sei é da chuva,
que tem uma pitadinha de sal, igual a lágrima,
e que não volta atrás,
que cai sempre nova,
que floresce,
que inunda,
que depois tem arco-íris,
mas antes, trovão,
e essa chuva,
que é samba no verão,
mas que é fado também,
ela muda as estações,
brota um novo fruto e se vai,
se volta não se sabe,
sabe só que foi choro e canção,
de noite ou a tardinha,
da chuva que nasceu em seus olhos, infinitos,
deles, sei também não...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete

domingo, 21 de outubro de 2012

Você é o sol e o frio abraçados


Você é o sol e o frio abraçados

Dança comigo.
Baila entre as esquinas.
Perde a hora.
Esquece o destino.
Deixa a estrada.
O último tango é o que nasce.
Faz ferver nossa encruzilhada.
Daquele olhar guarde o novo.
Pelas pernas me encontre.
Em seu peito guarde encanto.
Contorne todo o mundo em minha boca.
Faça da esquiva meu porto.
Me deixe!
Me pegue!
Carregue meu corpo.
Encerre meu jogo.
Faça impossível sem esforço.
Em sua pele inscreva meu gozo.
Pelas mãos deixe cravada em minha carne.
O suspiro infinito daqueles acordes.
Não há sinfonia preparada.
Posto que é o sol e o frio abraçados...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – primavera.


domingo, 29 de julho de 2012

Dever de vida


Dever de vida

Eu deveria fazer um poema de ti,
para seus olhos que brilham,
para sua boca que sorri,
pra cantar sua magia em que vivi.

Deveria ser um poema gigante,
porque é seu o infinito,
porque tem em seu corpo todo o instinto,
porque em ti sou errante.

Deveria escrever para te imortalizar,
beber seu gosto e festejar,
tocar seu corpo em gozo pleno,
derramar em seus olhos meu choro ingênuo.

Deveria sonhar pra te criar,
deslizar leve e forte sobre sua face,
voar sobre ti em carícias, nosso enlace,
deitar entre seu suor, um combate.

E depois de cumprido meu martírio,
desfaleço sob o seu encanto,
sem saber do escrito ou do devaneio,
na confusão de ti que é poema vivo. 

Que é vida minha,
que é todo meu anseio!

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – inverno.

terça-feira, 17 de julho de 2012

O tempo e os olhos


O tempo e os olhos

Acho que hoje vou falar do tempo. Mas não pretendo me demorar naquelas coisas chatas e de lugar comum com que algumas pessoas se fartam: “O tempo está a correr.” “Não conseguimos acompanhar o tempo.” “Parece que o tempo está a «andar» mais depressa.” “Nossa, meu dia deveria ter 48 horas”. São infinitos os reclames. Assim como é infinito o tempo. Assim como podem ser infinitas as possibilidades com que percebemos esse tempo. A forma como o apreendemos. O jeito como fazemos com que ele deixe de ser tempo e se torne nós mesmos. Meu parceiro, Marcos Assumpção, entendeu bem essa coisa do tempo. Compôs ele um álbum que se chama “O tempo em nós”. Convido o leitor a conhecer tanto o artista quanto o álbum. Conhecer o tempo? Aí já é outra tarefa. Mais árdua. Mais impossível. Não menos interessante, talvez por essa sua face inapreensível.

Comecei a dizer que iria falar sobre o tempo. Tento agora não me perder no tempo e me entregar àquela pressa que mencionei. Senão aí eu vou falar que precisaria de mais tempo para escrever esse texto. Escrita que não pode ficar presa ao tempo. O que é já impossível. Sempre estamos no tempo. Presos ou livres. Esta é a questão. Tornar-se escravo e falar dele como seu patrão, ou inventá-lo, ao invés de aceitar inerte sua ditadura. Esse pensamento pode ser visto sob a perspectiva de uma existência dentro do capitalismo do consumo em que vivemos. Essa histeria, meus amigos psicólogos e psicanalistas me perdoem o uso do termo, está associada à forma como nos portamos diante deste vilão, ou deste namorado, ou namorada, que é o tempo. Tentarei explicar a distinção entre tempo vilão e tempo-namorado ou namorada.

A ideia do tempo vilão está associada à ideia de querer viver como mocinho. Isso, muito comum ao modelo de vida capitalista norte-americano e que fica evidente em muitas das produções cinematográficas deste país. Essa vida também está de alguma forma presente na personagem Bovary do romance de Flaubert. Vida em que o problema é o outro. O marido que não realiza a esposa, neste último caso. O vilão que não permite ao mocinho uma vida tranquila e virtuosa. O interessante é que se não houvesse o um, o outro, nem sequer existiria. Mas sobre esse assunto não falarei aqui. Opostos e paradoxos são quase uma forma de constituição do humano.

No caso do mocinho, criamos uma forma estranha de nos relacionarmos com nossa própria existência, pois acabamos por entregá-la “de bandeja”, isso porque quando o tempo é o vilão, nós nem somos o mocinho, pois este é o oposto do vilão, e o oposto do tempo seria o não-tempo, o que não existe. Mas que precisa ser inventado. No entanto, essa não é a conclusão que chego nesse tipo de tempo. Aqui o sujeito assim se coloca não pela sua forma de existir, ao contrário, existe pela sua não-existência. Explico-me:

O tempo quando é vilão, age ele mesmo nessa direção. Furta das pessoas uma forma de se colocar no mundo e instaura sua existência à revelia. Em um processo, no poder judiciário, o réu que não comparece para se defender, é considerado revel, ou seja, é julgado sem que esteja ali a se defender. O ser humano que tem o tempo como vilão é julgado em sua vida da mesma maneira. Simplesmente por não tomar as rédeas ele fica ali dando vida ao tempo e a utilizar-se de uma figura de linguagem, a prosopopeia ou pessoalização - que significa a atribuição de ações, sentimentos animados a seres inanimados – e a ver o tempo a agir como se humano fosse. Daí que o tempo corre, voa, anda depressa, devagar - digo aos amigos filósofos que sei bem da diferença entre o tempo medido e o tempo sentido, e todas as consequências que isso tem, meu assunto agora não é explicar essa distinção.

Então, de prosopopeia em prosopopeia, fica o ser humano como uma marionete de si mesmo. Marionete do tempo em nosso caso. E o pior, as pessoas convivem com essa figura de linguagem como se fosse algo que de fato existisse. Não existe. Isso fica de certa forma engraçado. Pois, a questão da linguagem é complexa, estamos e existimos nela. E nossa relação com a linguagem é mesmo constituidora de nós mesmos. Parece que essa minha ideia tem mesmo procedência. Ora, é só lembrar que um filme que fala de zumbis foi gravado em um shopping center. E como nessa forma zumbi de existir não há percepção de tempo, essa figura de linguagem é o que resta. Resta agora, às pessoas que se relacionam com o tempo como vilão, sentirem-se aprisionadas pelo tempo. O que não é diferente do que ficar preso no shopping. O que é o mesmo que estar preso à forma capital consumista de existir. Essa forma impede a criação. Portanto, o vilão que nos aprisiona nunca deixará de ser vilão. Nesse sentido, nunca deixaremos de ser marionetes, zumbis ou coisa do gênero, Continuaremos nessa caverna. Aliás a metáfora da caverna também poderia ser usada aqui. Mas isso poderia cansar o leitor e o tempo poderia reclamar também.

A outra forma de se relacionar com o tempo é o que chamei de tempo-namorado ou namorada. Ao invés de temer o vilão ou “prosopopeiá-lo”. Talvez devêssemos namorar o tempo. Tê-lo como namorada. Digo namorada não porque é do homem. Mas porque é mais bonito do que dizer namorado. Então, miremos: Enquanto diuturnamente as pessoas se desesperam com as prosopopeias que elas próprias criam. De alguma forma, seria mais criativa uma forma namorada de ver o tempo. Ver o tempo como uma namorada é necessariamente estar enamorado dele. Como diria o poetinha, tem que ser de um tempo só, não de vários. Assim, namorar o tempo e se namorar por ele é cumprir a ideia de que a cada olhar que ele nos direciona, a cada carícia e cada beijo, acabamos por nos envolver e nos deixarmos criar por ele, ou por ela. Aqui estou a dizer que o tempo-namorada é o que nos liberta da prisão das necessidades da vida capitalista. Ou seja, aqui não consumimos o tempo. Não o medimos e nem queremos aumentá-lo ou diminuí-lo, cabe aqui inventá-lo. Inventar o tempo é estar apaixonado por ele. É então, namorar com ele. Isso é mais interessante e mais criativo ao menos, do que viver como um ser humano que não se percebe, e que histericamente tenta acertar os ponteiros externos, uma clara mostra de seu desarranjo interno.

Quis escrever sobre o tempo. Acho que acabei escrevendo sobre uma forma de viver. Viver no tempo ou viver o tempo. Quando namoramos não devemos tentar nos apropriarmos do outro. O tempo e o outro estão em nós. Assim como o contrário também é certo. É uma criação dialética em que nos formamos, amamos, ou não. Então, é interessante pensar o tempo, sempre. Pois, ao pensá-lo, pensamos a nós mesmos. E, de outro lado, essas duas formas são duas maneiras de viver. Uma, na histeria de frear o irrefreável e captar o que escorre pelas mãos. Outra, sob os olhares enamorados de um amante. Que cuida de reinventar seu amante para que invente a si. Sem amarras e sem prosopopeias. Ao fim destas ideias, parece que o olhar é mesmo o responsável por isso tudo. Aliás, não é o olhar em si, mas a maneira como nos relacionamos com ele. Uns passam correndo e não são esquecidos. Outros param diante de nós e mesmo assim não são percebidos. Olhar e tempo. Não deveria ter me metido nesse texto. Não podemos prever nem prender o tempo, assim como, não podemos prever nem prender os olhares que nos namoram.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – inverno.



segunda-feira, 16 de julho de 2012

Dançar, olhar, amar...amar, dançar, olhar...

Dançar, olhar, amar...amar, dançar, olhar...

Me tomam, não me devolvem,
em tantas visitas me envolvem,
soltam sobre mim, me interrompem,
abraçam meus passos,
embaraçam.
Criam meus versos, não disfarçam,
tiram minhas vestes,
invadem.
Sorrateiros em minhas fretas,
desabam dentro do meu abismo.
Infinitos como o sonho que não vem,
insistiram em deixar um torpor,
esquecidos como crianças,
quentes feito vingança
sutis qual lágrima de esperança.
Acordes a embalar minha crença,
céu intenso,
flor nascida.
Seu olhar,
vida inscrita,
nossa dança. 

Bernardo G.B. Nogueira
inverno - Conselheiro Lafaiete

quinta-feira, 5 de julho de 2012

ando

ando

de costas para a vida,
vê-la não me convém,
detém meu peito a partida,
dela quero o mel,
não quero a medida
do inferno  e das coisas benditas
indiscutidas,
verdadeiras feito o sol da madrugada,
qual amor em tempo de fachadas,
qual frio em dia ensolarado.

Quero o céu e a esquina, que cria
em cada olhar e em toda trilha,
como fruto de fantasias,
real, esculpida na face do não,
contra a classe e a multidão,
esquivo do tempo e da maldição,
de olhar pra trás...

olhar pra trás!
ollhar pra trás!

Bernardo G.B. Nogueira
BH - inverno

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Flor


Flor

Flor, porque você é mesmo uma flor. Como eu quero ver todo dia essa flor. Chamar flor, e mesmo que não seja atendido com outra voz, que seja flor em silêncio. Porque até sem falar ainda é flor, porque flor não precisa falar, só ser flor mesmo já está bom, porque o cheiro da flor já diz tanta coisa que se ela ainda falasse iria conquistar o mundo. E essa coisa de conquistar mundo também não passa pela cabeça de uma flor. O mundo é ela mesma e não teria razão para querer conquistar a si mesma. E também porque o mundo já está cheio de pessoas que querem conquistá-lo. Porque flor que se preze não fica com acaso por causa de um mundinho qualquer, no máximo, deixa um rastro de cheiro e logo volta à sua formosura e desdém em relação ao mundo. Porque o mundo é que precisa conquistar a flor, não é? Sem o mundo ela ainda é a mais bela flor, mas sem ela o mundo nem tem mais cor. Porque ainda que mundo houvesse sem flor, ninguém ousaria pensar que não era um mundo menor pela falta da flor. Porque também ela simplesmente brota no campo ou no jardim e depois fica a deixar os outros apaixonados por e através dela. Porque o amor sai de suas pétalas e toma o nosso olhar, e “ai” de quem não se curva diante da flor, sai espinhado. Porque ela é brava também, como tem que ser tudo que é imprescindível. Nem dá para se importar quando a gente erra o caminho a pensar na flor. Aliás, acabo de descobrir outra face da flor, ela serve para desviar caminhos. E como seria essa vida sem os caminhos desviados?, iríamos todos para o mesmo rumo e sem sequer ver uma flor ou mesmo tê-la em mente. Nosso pensamento além de tudo depende da flor, porque sem ela seria como não precisar levantar-se da cama ou abrir os olhos. Seria chato abrir os olhos e não ver a flor, e é impossível viver sem que tenha uma flor. E essa flor, também é muito misteriosa, porque tem a cada primavera uma pétala que não se viu na outra, e aí ficamos apaixonados sempre e a cada primavera pelas novas pétalas e pelo cheiro novo que aparece sempre e mais forte de manhã. Além de tudo, as manhãs também só têm todo esse charme porque as flores abrem um sorriso para elas. Porque sem flor também não há manhã que aguente acordar todo dia. E os dias só tem alguma chance de sobreviver, se porventura tiverem dentro de seus minutos, longos momentos em dedicação à flor, porque senão ele vai ficar tão vazio que logo cansará e ficará a implorar para que venha logo a noite. Porque a noite já se rendeu à flor, ela deixa tudo mais escuro para que o cheiro da flor possa ser sentido de maneira mais clara. A noite é escura para que os odores da flor possam passear por entre ela sem serem percebidos. É porque a flor é também uma forma de existir quase enigmática. Ela não fica por aí se mostrando para qualquer. Tem que ter olhos e olfato sensível, senão não vê, senão não flutua e não sente. Daí que para um dia perceber o que uma flor quer dizer, realmente é preciso mais que um olhar apurado e um ouvido aguçado. Tem mesmo é que largar de lado a razão. É precisamente por causa disso que a flor aparece. Porque ela é também irracional e prefere um louco a roubá-la do que um são que quer comprá-la. Porque ela não se vende. E é por isso que em algumas vezes ganha-se flor sem ganhar. De vez em quando a ornamentação com flor fica parecendo uma coisa cheia de nada e sobrando tudo. Isso é também pela face subversiva da flor. Ela aparece quando o relógio não interessa e quando o horário já foi perdido. Quando a grade da casa é grande ou quando o muro é alto. Porque para chegar perto tem que ter insanidade de poeta e toda a falta de medo e razão que só quem é apaixonado por uma flor poderia ter. E toda essa aventura da vida só tem sentido se no fim do arco-íris tiver uma flor à sua espera, porque se você não colorir o caminho, ele não será arco-íris, e muito menos terá uma flor ao final à sua espera. Porque flor não espera e arco-íris não existe. Só existe sonho e só existe criação. Quem souber pintar invente e quem souber plantar que viva. Porque flor...

Bernardo G.B. Nogueira
Outono – Itabirito.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Prosinha pro dia


Prosinha pro dia

Tá bom, foi mal,
pela cobrança para um encontro, e tal,
pela leveza do poema,
em uma tarde de trabalho real.

pela manhã sem a correria normal,
pela demora no banho,
dos tantos tropeços e versos,
pela ausência do pontual.

Daquele dia que me perdi e atrasei,
é que tinha uma canção e um refrão,
sempre que ele tocou,
me esqueci do caminho, só via o sol.

E eu acho que sempre vai ser assim,
não tem fim e nem tem mal,
é só o esquecimento mesmo, do real,
é só a criação do seus olhos, mortal.

Bernardo G.B. Nogueira
diálogo – outono.

domingo, 22 de abril de 2012

Vida, morte ou imaginação


Vida, morte ou imaginação

Está frio e quente,
o mar se vai
e vem,

deixo-me ao olhar,
como um barco parado
sobre a água a dormir.

Sempre ao entardecer,
os fios de sol vem ao meu rosto,
todo infinito é o seu gosto.

Mas não há aqui
ou outro lado,
certo e errado,
dia calmo ou tempestade

pois já é tarde e me distraio,
daquele tempo que foi,
ou pela estrada que escrevi.

Bernardo G.B. Nogueira
Outono – Conselheiro Lafaiete

sábado, 31 de março de 2012

À espera do canto...


À espera do canto...

quase como uma gota de lágrima que ainda não choveu,
quase como um toque de lábios que se rompeu,
quase como um abrigo que o vento levou,
quase como um seu afago que não é meu,

qual a distância do rio que me torna mar,
qual a proximidade do rosto a se virar,
qual a faticidade do tempo a nos moldar,
qual a face da vida que a outra é morte.

a ti irei olhar,

como o filho que dá braços ao pai,
como a vela do barco que se dá ao vento,
como a palavra que se dá ao sentimento,
como a folha que se dá ao anseio do poeta.

feito um silvestre a caçar sua vida,
feito o artista a se perder no palco,
feito a criança que sente medo da noite,
feito o adulto que sente medo do amor.

estarei à espera de seu canto...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete