reminiscer
sempre se vai,
em voltas a locais passados,
passamos por eles,
e passar é trilha,
olhar pra trás é inventar o que se foi
não olhar é viver de afugento
tornar a caminhar é novo,
novo velho passo,
cansado de não ver
e de ver também,
filme antigo de cores novas
cores velhas e nova calçada,
sob a janela o sol continua a sair
e volta novo
mas sempre sol
depois que se ama é sempre regresso.
B.
Este blog tem como objetivo a publicação, criação e discussão d'lgumas ideias e sonhos...ideias poéticas, filosóficas, romanescas, musicais, teatrais, cinematográficas, artísticas...e de vez em quando, jurídicas...
Mostrando postagens com marcador caminho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador caminho. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 31 de julho de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
destino
E o destino se realizou
como de há muito havia avisado
sentado ali
à beira do passado
suicidou-se num futuro
cada um pr’um lado
na hora acertada,
vida é desviar-se...
B.
sem a hora no outono
domingo, 5 de maio de 2013
caminho
caminho
há que procurar,
da manhã ao fim da tarde,
sem pausa ou descanso,
até o fim, traduza-se,
seduza,
encontre o escuro,
ao fim, toque o abismo,
ao início, se jogue,
e quando as mãos se perderem,
pela noite toque meu corpo,
há que procurar...
B.
outono.
sábado, 8 de setembro de 2012
Sair de um lugar...
Sair de um lugar...
Sei que me deixaste ali,
com o sol, o vento, e a fumaça,
roto em sentimento, mas esperaste,
na forma do trilho sem fim, ali.
Com rota a ermo,
frio e calorento,
sentinela sem tormento,
dormente feito incenso.
Saido de minha paz,
esquecido de minha voz,
machucado e sem foz.
Uma faca modelou a face, ali,
despedida em semblante sem sombra,
antes que a estação partiste, ali.
Bernardo G.B. Nogueira
BH - inverno
Sei que me deixaste ali,
com o sol, o vento, e a fumaça,
roto em sentimento, mas esperaste,
na forma do trilho sem fim, ali.
Com rota a ermo,
frio e calorento,
sentinela sem tormento,
dormente feito incenso.
Saido de minha paz,
esquecido de minha voz,
machucado e sem foz.
Uma faca modelou a face, ali,
despedida em semblante sem sombra,
antes que a estação partiste, ali.
Bernardo G.B. Nogueira
BH - inverno
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Adeus
Adeus
E agora o que vou
fazer?
se há tanta
distância entre seu inverno e meu outono,
métricas
perdidas, passado no forno,
estrada inscrita
em minha pele sem prazer.
Como vou ferver?
Se o toque da sua
flor não encanta,
se a pétala de
sua rosa decanta
e depois do gole
que não faz derreter.
Se a face de sua
boca me cala,
enquanto meu
corpo reclama,
feito mar sem
ressaca.
Enquanto trilha
que não clama,
depois dum olhar
que não sufoca,
resta a pele, que
não é mais minha alma.
Bernardo G.B.
Nogueira – inverno
Ponte Nova
terça-feira, 24 de julho de 2012
Por entre vias
Por entre vias
Escrever seria a
salvação,
intenso retorno
aos princípios,
extensos domínios
feito precipícios,
eternos os
destinos daquela noite, uma canção.
Às voltas com o
acaso,
qual amantes em
praças,
descompasso,
riso, graças,
em um mar interno
com quem me caso.
E de todas as
selvas que me despeço
retorno suspeito
de saudade,
vão sem dono,
espaço e criação.
Nada há o que
temer,
nem é preciso dar
a mão,
meus olhos se me
guiam ao seu coração.
Bernardo G.B.
Nogueira
Inverno –
Conselheiro Lafaiete.
Marcadores:
amor,
caminho,
construção,
entre vias,
entrelinhas,
vias,
vida
quinta-feira, 5 de julho de 2012
ando
ando
de costas para a vida,
vê-la não me convém,
detém meu peito a partida,
dela quero o mel,
não quero a medida
do inferno e das coisas benditas
indiscutidas,
verdadeiras feito o sol da madrugada,
qual amor em tempo de fachadas,
qual frio em dia ensolarado.
Quero o céu e a esquina, que cria
em cada olhar e em toda trilha,
como fruto de fantasias,
real, esculpida na face do não,
contra a classe e a multidão,
esquivo do tempo e da maldição,
de olhar pra trás...
olhar pra trás!
ollhar pra trás!
Bernardo G.B. Nogueira
sábado, 3 de março de 2012
Paisagens
Paisagens
Quando encontrei aquele velho
pela primeira vez, nem mesmo percebi a cor de suas rugas. A estrada que
escorria por entre nossos olhares retirou uma provável aproximação. Foi apenas
um momento como todos esses que corriqueiramente nos envolvemos sem querer. Sem
intenção. O velho olhou e eu também. A direção dos nossos olhares é que fez com
que encontrássemos. Mas o calor que derretia a estrada não permitiu que
dialogássemos.
A próxima esquina. Aquela mesma
esquina que já era minha velha conhecida tornara-se mais distante e
desconhecida. Quanto paradoxo significa dizer que uma esquina velha conhecida
se torna desconhecida. Até cumprimentei o senhor que tocava flauta sempre
naquela mesma esquina. Mas me parece que ele mudou o tom. Por um momento penso
que esse problema que acomete as pessoas distraídas havia tomado conta de mim.
Será que aquela esquina conhecida também havia sido transformada pelo calor que
derretia a estrada que não permitiu o diálogo com o velho de olhar enrugado e
sem cor?
Procurei não olhar para trás. Mas
por mais que não mirasse o horizonte que restava, por dentro havia um cheiro do
que vivi. Esse odor me transportava para a esquina conhecida e todos os maus e
bons agouros que nela já vivi. Os meus passos se confundiam com o excesso de
rimas dentro das minhas lembranças. Talvez devesse pausar para um café e tentar
escrevinhar alguma coisa. Essa forma de terapia não cobra um aperto de mãos e
um pagamento ao fim da sessão. Simplesmente posso jogar o papel no lixo.
Simples como esquecer uma canção sem sentimento. Insignificante como dormir em
noite sem sonho e luar.
Hesitei como um palhaço sem
graça. O palco se transformou em um turbilhão de palavras imediatas e o velho
sumiu de minha vista. É claro que não olhei para trás. Apenas imaginei o velho
e suas rugas a se distanciarem do meu olhar interrogador e perdido entre uma
esquina velha conhecida e os antigos sentimentos e cheiros desconhecidos. Todos
guardados em uma caixa de coisas inéditas. Essa caixa é difícil de compreender.
Assim como o olhar derretido do velho. Assim como a rua enrugada que atravesso
todos os dias, mas que hoje em dia não reconheço.
Entre a fumaça do cigarro e nada,
a nostalgia da esquina. Não interrompi a caminhada e quanto mais ao longe me
perdia entre as pessoas, mais perto do velho eu me tornava. Despedi-me do
porteiro do hotel que sempre acendia meu cigarro. Ele sempre dizia que era uma
honra poder servir. Nunca entendi essa frase. Eu só queria fumar. Ele só queria
acender o cigarro. Mas os olhos dele nunca acompanhavam o lume do isqueiro.
Pareciam mais preocupados com a direção da fumaça. Logo que ele acendia meu
cigarro, acendia também o seu. Nossas fumaças se encontravam. Eu me despedia
dele.
Quando dobrei a esquina derretida
pelo calor, o velho estava deitado sobre a calçada que ainda não se havia
derretido. Havia um toldo a lhe cobrir do sol. Penso que ele estava à minha
espera. Minha e do sol. Por certo não queria se derreter. A paisagem se
transmutara e o velho já se havia incorporado à estrada disforme e à esquina
conhecida.
Olhei meus olhos pelo espelho do
café que já também era parte da paisagem. Nada de mais. Eram apenas meus olhos.
Sem rugas. O velho, contudo, mantinha-se enrugado e sereno a me observar. A rua
continuava a se derreter por causa do calor. Daqui a pouco o velho poderia descer
como lava pela estrada, eu também. Caminhei apressadamente para não me
confundir com aquela paisagem estranha. O velho me chamou pelo nome. Não olhei
pra trás. Não queria olhar para nenhum espelho.
Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – 26/02/2012
Assinar:
Postagens (Atom)