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domingo, 2 de junho de 2013

duvidação



duvidação

sabe-se lá se cada manhã deveria mesmo ser cantada,
nela se foi mais uma noite.
achamo-nos enganados em louvar a vida?
seria mais entendido louvar a morte?
dela temos toda a incerteza,
enquanto isso vivemos a correr,
dela e p’ra ela,
sem nos darmos conta,
caminhamos à mercê da vida,
mãos dadas com a morte,
uns com mais fervor,
outros mais distraídos,
aqueles contando horas,
esses últimos, prosas,
vendo os rios,
ah! essa manhã de outono me acabrunha,
sei se a dela me enamoro e faço cria?
sei se dela me desdenho e faço rima?
de todas as curvas,
a madrugada fez-se boa,
pois que de duvidar é que a gente voa,
e sem saber se dia ou noite,
se tarde ou aurora,
vacilo pelas tardes daquela estação que nem ri e nem chora,
todo outono a gente nasce,
e todo outono a gente morre,
as velas?
...podem acender pra quem nunca morreu.

B.

domingo, 12 de maio de 2013

saltar, olhar, saltar ao mar...



saltar, olhar, saltar ao mar...

dar uma breve mirada pelo precipício
e não saltar.
Ver o horizonte,
sentir o vento
 e cheirar o sol,
deixar o aroma
queimar a pele,
não voar e curtir o sonho,
saltar, 
sentir o vento na face
cortar o abismo de mim,
mergulho no sol,
queda livre,
tocar o infinito sempre que houver um beijo,
sem querer a estrada me empurrou,
amar é caminhar sem olhar pro chão...

B.
outono.

entre



entre

pra viver tem que saber bem o morrer,
é no outono que a primavera se inspira,
contempla a morte de si enquanto prepara a vida,
a folha que cai é a primavera esperada,
os galhos solitários dedilham o som que vem,
da flor que nasce quando morre a sombra,
bem ali entre o que foi e  ficou dito,
na ausência da fala, silêncio,
ao fim do silêncio, gemido,
pela fotografia que fere de morte o tempo,
faz nascer a lembrança,
pra cada morrer há uma vida,
e de tanta vida,
a morte talvez seja a saída,
pro amor de ontem deixar seu rastro e partir...

B.

quarta-feira, 27 de março de 2013

poema sem nome



poema sem nome

diga onde você rabiscou,
quais as ruas pisou,
aonde andou seu cheiro,
p’ra onde voaram seus olhos,
qual cor coloriu seu sonho,
de qual altura jogou seu pensamento,
em que noite sentiu calor,
qual tarde foi ao cinema,
qual chuva regou seu amor,
qual pele sentiu seu sorriso,
em qual estação esqueceu as malas,
pra qual jardim você cantou,
pra quem mentiu?
que dis nascerá?
morrerei também...

B.

domingo, 17 de março de 2013

poema da vida real? (anti Dionísio)



um dia,
quem sabe...
quando não houver muito trabalho,
depois da chuva,
quando estiar essa maré brava,
depois que a gente se curar de tudo de ruim,
no dia em que não houver testemunhas,
porque você sabe né?
viver a dois hoje é difícil.
Então a gente espera,
enquanto isso as coisas esfriam,
fica mais fácil agir racionalmente,
afinar as finanças,
controlar os próximos projetos,
planejar, né!?
pois vida sem planejamento hoje não dá certo,
podemos até pensar em filhos, mas só depois do doutorado,
antes fica tudo emperrado,
durante a madrugada preciso responder alguns e-mails,
então não vai dar pra amamentar hoje,
escrever durante o dia não dá, tem o escritório,
quando não estivermos muito cansados a gente transa,
porque ninguém é de ferro,
não?
...

poema da vida real?
(anti Dionísio)

B.
BH – verão – Conselheiro Lafaiete