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domingo, 12 de maio de 2013

saltar, olhar, saltar ao mar...



saltar, olhar, saltar ao mar...

dar uma breve mirada pelo precipício
e não saltar.
Ver o horizonte,
sentir o vento
 e cheirar o sol,
deixar o aroma
queimar a pele,
não voar e curtir o sonho,
saltar, 
sentir o vento na face
cortar o abismo de mim,
mergulho no sol,
queda livre,
tocar o infinito sempre que houver um beijo,
sem querer a estrada me empurrou,
amar é caminhar sem olhar pro chão...

B.
outono.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Amor, revolução

Amor, revolução
 
Demais é rabiscar livros com heresias sentimentais,
derrubar estados e construir arco-íris,
transpor  imagens, só ver miragens,
carregar no peito nada além do que sentiu,
trazer uma mala cheia de estórias,
inventá-las sempre que puder,
deixar escorrer pela pele toda a efusão,
do encontro tornar vida e morte,
na estação mirar o próximo porto,
descansar com os ouvidos ao som inaudito,
ferver no gelo do corpo devastado,
inverter a direção do mapa, só pra ver onde não vai dar,
de mãos dadas seguir com o algoz,
zombar dos deuses, adorar o humano,
com flauta doce, receber o inimigo,
desconfiar da razão, entregar-se cândido ao abismo da emoção,  
que o que vem seja anunciação, e o que vai, saudade,
a ausência, criação,
olhares novos, perfeição,
ao invés do verbo, poeisa e canção,
pois sentimento, se é sentimento mesmo, tem que ter heresia, senão é convenção...
 
Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – primavera - 2012

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

e o que é viver?



e o que é viver?

é visível sem mesmo saber,
é factível mesmo sem parecer,
é vivível até se chover,
é sofrível se não querer,
é de mato se se esconder,
é desacato se não reconhecer,
é tão grande que parece desprender,
é distante da lua e faz renascer,
é perto da vida, canta pra amanhecer,
é longe da lida,
linda e perdida,
manso é seu sofrer,
perto da nuvem,
faz cantiga pra minha noite esclarecer,
de amor e nada, só pra não morrer...

Bernardo G.B. Nogueira
Primavera – Conselheiro Lafaiete

sábado, 15 de setembro de 2012

Em pedaços...



Em pedaços

Quantas idiossincrasias transbordam de mim,
salta feito águia em precipício,
qualquer atrito resta esquecido,
em rastros imaginários que criam alvorecer.

Caçada insana frente ao inimigo,
em guerra fecunda de cores,
surgem dum rosto inscrito em flores,
voam pelo ar como rajadas de sol.

Ficou em carne viva esse som,
recitado em versos de tom maior,
monossílabos que diziam o mundo.

Cada pegada foi um pedaço que ruiu,
como as folhas que rolam pelos galhos,
fui noite fria que entranhou em seus olhos.

A noite daquela enchente lavou meu peito,
desnudou a face e trouxe o canto novo,
a poeisa ficou pronta quando sai de mim,
as rimas agora estão todas feitas.

                                   Palavras candentes de uma tempestade que não caiu,
  partiu.

Bernardo G.B. Nogueira
BH – inverno velho e novo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Doação


Doação

Ao acordar amava-te mais,
mais e sempre, estranho e mais,
desnudo e crente,
pele, carne e mais.

Depois do sonho tornaste manhã,
em meus poros de criança, maçã,

Pura e mistério, proibida,
minha e estranha, cativa.

Doaste em sonho, um parir,
viveste o encanto, partir,

Em tom silente, foste em mim,
mais bela que o dia em que nasceste
nas notas turvas do porvir,
sua pose infinita, crua, ao longe,

de perto, me fez sorrir.

GB Nogueira – Ponte Nova, outono.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Do lado de quê?


Do lado de quê?

Contra o explícito
o verídico
e o fatídico,

contra o machismo,
o revanchismo
e o chauvinismo,

contra o correto,
o sempre ereto
e o que não é incerto,

contra a reta,
sempre certa,
parcimoniosa e discreta,

contra a tendência,
a essência
e toda a coerência,

contra o esforço,
o excesso do gozo,
mentiroso e que é forçoso,

contra a gramática,
do macho,
não máquina.

pelo amor,
pelo poeta,

pelo erro,

pela mulher,
talvez o homem.

GB Nogueira
Outono – Itabirito 2012.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Prosinha pro dia


Prosinha pro dia

Tá bom, foi mal,
pela cobrança para um encontro, e tal,
pela leveza do poema,
em uma tarde de trabalho real.

pela manhã sem a correria normal,
pela demora no banho,
dos tantos tropeços e versos,
pela ausência do pontual.

Daquele dia que me perdi e atrasei,
é que tinha uma canção e um refrão,
sempre que ele tocou,
me esqueci do caminho, só via o sol.

E eu acho que sempre vai ser assim,
não tem fim e nem tem mal,
é só o esquecimento mesmo, do real,
é só a criação do seus olhos, mortal.

Bernardo G.B. Nogueira
diálogo – outono.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O quanto é o quanto (à Modigliani)







O quanto é o quanto

O quanto foi musa,
é o quanto pude viver,
O quanto foi deusa,
é o quanto pude crescer
O quanto foi tristeza,
é o quanto pude merecer,
O quanto foi realidade,
é o quanto pude arrefecer,
O quanto foi sonhada,
é o quanto pude esquecer,
O quanto foi distante,
é o quanto pude amanhecer,
O quanto foi promessa,
é o quanto pude anoitecer,
O quanto foi silêncio,
é o quanto pude entrever,
O quanto foi desconhecida,
é o quanto pude ser,
O quanto foi amor,
é o quanto pude morrer,
O quanto foi seus olhos,
é o quanto pude pintar você.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete