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sábado, 27 de outubro de 2012

quem tem flor tem sorte...



quem tem flor tem sorte...

Quem tem flores nos jardins tem sorte,
que vê flores pela janela também,
o jardineiro vive com sorte,
tem perfume e tem verdade,
todos os dias caminha sem ansiedade,
as flores esperam felizes o sol e a chuva para alvorecer,
quando na rua nos deparamos com uma flor, ah como é melhor
o chão se colore e o céu fica mais perto,
não aquele céu de deus,
mas aquele que sentimos quando estamos em devoção,
e é assim quando a flor brota,
quando ela morre, mesmo assim é linda a floridão
pois o enterro de uma flor é um bouquet,
e o choro da flor é perfume,
e flor triste é poesia,
e o poeta é o namorado eterno da flor,
até a última pétala,
até o último verso.

Bernardo G.B. Nogueira
BH

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Tanta coisa...



Tanta coisa...

você é tanta poesia com esse sorriso,
eu sou só um verso dele,
nem poderia ser mais,
nem menos.
Se te apanho em rimas,
foges como cai a chuva.
Em outra inspiração, te recrio em visão,
saído de dentro de algo que não tem fim não,
direto para seu infinito,
que me revela pela metade,
distinto de toda certeza,
impossível qualquer fim.
É assim toda sua cadência,
dias tenros, noites em furacão.
Manhã de brilho e estrada sem direção.
Você é tanta poesia com esse esquecimento,
eu sou só um laivo dessa criação,
de verdade ou em fantasia,
apenas te escrevo, nada mais não.
Se te vejo em meus desditos,
é pra ter certeza de sua complicação,
de me fazer poeta triste,
de me trazer ao turbilhão.
E é assim que és tanta coisa,
poesia e prosa, música também
são os locais onde você mora,
nova, velha e invenção,
de mim e de ti,
folha escrita, estória inventada,
eterna encantação.
Você é tanta coisa...

Bernardo G.B. Nogueira
Primavera - Itabirito

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Viagem


Viagem

Na solidez do meu fim,
fica guardada toda a imaginação,
a cada repique dos sinos,
uma multidão se refaz sobre as estepes.

Malditas feito cegos no jardim
a colher as flores do esquecimento,
guardadas em caixas de nuvens,
feito céu que não se abriu,

qual casulo que não pariu.

Imaginadas em cirandas sem início,
fim ou meio,
cantigas para vistas sem receio,
espadas cravadas sob um claro devaneio.

Amanhecido de mim,
findou enquanto vivi,
em todas as labaredas criadas,
versos impuros e almas encurraladas.

Doce sabor do mistério,
de criatura que não foi criada,
do invisível na noite calada,
das frias montanhas,

da nossa doce escalada.

Bernardo G.B. Nogueira
Inverno – Conselheiro Lafaiete

Canção para embalar a leitura:
http://www.youtube.com/watch?v=TL_FEFMlzVY

segunda-feira, 19 de março de 2012

O quanto é o quanto (à Modigliani)







O quanto é o quanto

O quanto foi musa,
é o quanto pude viver,
O quanto foi deusa,
é o quanto pude crescer
O quanto foi tristeza,
é o quanto pude merecer,
O quanto foi realidade,
é o quanto pude arrefecer,
O quanto foi sonhada,
é o quanto pude esquecer,
O quanto foi distante,
é o quanto pude amanhecer,
O quanto foi promessa,
é o quanto pude anoitecer,
O quanto foi silêncio,
é o quanto pude entrever,
O quanto foi desconhecida,
é o quanto pude ser,
O quanto foi amor,
é o quanto pude morrer,
O quanto foi seus olhos,
é o quanto pude pintar você.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete