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sábado, 27 de outubro de 2012

Quando rezo, aos meus amigos...



Quando rezo,
 aos meus amigos...

Talvez eu já tenha escrito sobre vocês,
em arrebol ou em jeito de mim,
é certo que não há direção,
idas vindas e construção,
essa sina nossa de toda manhã,
dia e noite, quase oração,
despedir e voltar como faz o trem na estação,
enfrentamos a tempestade, tentamos outra vez,
mas o olhar fica ali, à espera e para um próximo xadrez.
Da vida que corre como rio bravo,
cada abraço fulminou a faísca de dor,
no calor da lágrima a verdade como flor,
é mesmo um jardim esse encontro,
suspiramos ao futuro novo e fazemos do presente amor.
Dá saudade do que passou e mais ainda daquilo que vem,
pois com vocês sempre foi assim:
Despedida do mundo e uma vista sem rumo.
Cada batalha,
vencida ou no chão,
sua mão chegou e o céu virou procissão.
Rastejantes, em voo pleno, no som da canção.
Se vá!
Caminhamos juntos,
“malditos, inocentes”, no inferno ou na salvação,
de cada olhar, em mim fica a cicatriz do amar,
os versos daqui, agora querem alcançar sua visão
sua visão, my friend, my old friend,
pra que salvemos nossa estrada,
pra que dela brote nosso coração,
pra um dia na vida cantarmos essa canção.


Dou-te minha poesia,
minha paz, meu infortúnio,
nosso encontro, existência que não te fim não!
 
http://www.youtube.com/watch?v=NOunQ6g2ews

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete - primavera

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Viagem


Viagem

Na solidez do meu fim,
fica guardada toda a imaginação,
a cada repique dos sinos,
uma multidão se refaz sobre as estepes.

Malditas feito cegos no jardim
a colher as flores do esquecimento,
guardadas em caixas de nuvens,
feito céu que não se abriu,

qual casulo que não pariu.

Imaginadas em cirandas sem início,
fim ou meio,
cantigas para vistas sem receio,
espadas cravadas sob um claro devaneio.

Amanhecido de mim,
findou enquanto vivi,
em todas as labaredas criadas,
versos impuros e almas encurraladas.

Doce sabor do mistério,
de criatura que não foi criada,
do invisível na noite calada,
das frias montanhas,

da nossa doce escalada.

Bernardo G.B. Nogueira
Inverno – Conselheiro Lafaiete

Canção para embalar a leitura:
http://www.youtube.com/watch?v=TL_FEFMlzVY

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

En Tortoni

En Tortoni

Ah, belo Tortoni,
canto a ti, os melhores sabores,
canto a ti, seus fantasmas e dores,
canto a ti, fantasias, olhos encantadores.

Sinto aqui os mais antigos sentimentos,
encrostados no ar que emoldura movimentos,
sinto aqui toda a desfaçatez dos tempos,
em passado e presente, em futuro nos veremos.

Ah, velho Tortoni,
senhor das artes errantes,
maior que Buenos Aires, gigante.

Declaro aqui, entre vida pulsante,
poesia nascida, versos,
que fazem de mim seu amante.

Bernardo G.B. Nogueira
Café Tortoni - Buenos Aires
(poema a ser publicado na revista Buenos Aires Cultural - editada pelo Café)