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sexta-feira, 19 de abril de 2013

acabou ontem



acabou ontem

de manhãs há que vive
cândida,
livre e som,
de Tom e vagar,
convite de orquestra,
pra falar de rio e mato,
com sede de nota limpa,
água corrente pela harmonia,
e o timbre só alegria,
Ah...
lá se vai o “chorare”,
pro mar de banho
de manhã que é fim de ontem,
do cantar que foi amor de sempre...
de manhã.

B.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Viandante



Viandante

Logo essa manhã se vai. Daí que resolvo dedilhar algumas palavras. Talvez pra espantar o sono. Talvez uma maneira de inscrever-me nessa manhã. Ou talvez eu esteja mesmo precisando dormir. Mas se vai de longas datas que não tenho sono. Recuso os dias e abraço as noites com afetos inauditos. Passo por elas como quem toca o corpo que se ama. Ela me embala e nos amamos sem parar. Amor assim, sem vaidade. O que não podemos dizer, calamos - disseram isso já em algum lugar.

Retorno à manhã. Seria ela mais uma conseqüência da morte da noite ou estaria, esta tão sorrateira manhã, a querer usurpar em mim a primazia da noite? Sei só que ela traz consigo alguns cheiros que me levam a mim sem que possa deter. Parece quando olhamos uma fruta madura no pé e temos que apanhá-la. Essa estória de traição e fruta madura já deu o que falar.  Mas é de uma suavidade tão grande esse embalo que a canção da manhã, normalmente atrapalhada pela cidade, hoje ressoa em notas finas sob meus olhos cansados.

Ao pensar na hipótese de trair a noite com essa manhã, logo um sentimento de remorso se antecipa. Detenho-me. No entanto, logo no mesmo instante, pois essa coisa de tempo é traiçoeira, a não ser que já tenhamos conversado com o velho Borges e ouvido falar que “o passado é a substância de que é feito o tempo, por isso que este se torna passado imediatamente” - não saberia bem recusar os toques da manhã. Eles sempre passarão, e antes mesmo que a noite bravia exclame, deveria lembrar-se que somos tempo, e por isso, passados. Não daria tempo de esbravejar, já seria desde sempre passado.

Dessa relação entre a manhã e a noite, o tempo tomará conta. Ora uma, ora outra, sucederão enquanto passados que foram. Essa fora uma boa solução, tempo rei. Mas mesmo que esse problema tenha se resolvido, pois ele não nasceu de mim e sim do texto, me quedo ainda irresoluto com o problema desta nova relação com a manhã. Isso até porque ela já se vai indo, e em meu sertão ainda tem uma porta que não foi destrancada. Sei bem que muitas vezes nós trancamos a porta só pra reclamar dela fechada. Se não for coisa de inconsciente, acho que lá está mesmo fechado. Mais uma mirada pela janela. Outra vez a manhã sorri, cândida e silenciosa. Sei não, esse olharzinho esta a me tirar de novo o sono. Logo eu, que nem sou afeito a sonos.

Depois que discutir com a noite sobre essa manhã que é passado, talvez encontre uma chave pra aquela porta que ainda se mantém fechada. Noite agradável e com brisa leve, até luar. Manhã espessa e que entranhou dentro de mim igual cheiro de rosa quando brota, de manhã.  Todas estas sentimentalidades ficam rabiscadas na noite e na manhã, ou na manhã e na noite. Bom que se pode sempre apaixonar, melhor ainda que não dá pra saber se pela manhã ou à noite. E o que ainda sempre restará não sabido é por que a gente se afeiçoa, por que a gente amaldiçoa por sentir manhãs ou noites - mas esse assunto é prosa para outro dia, talvez à tardinha, “nessa hora dos mágicos cansaços”, como poetaria Florbela Espanca.

A manhã que me fez dedilhar palavras já esta indo embora, já tem barulho a incomodá-la e cheiros que se misturam com sua tez. O passado que ela é vai se juntar ao tempo pra formar a noite que virá. Devo dormir. Quiçá haja um sonho em que a noite e a manhã apareçam juntas pra me contar segredos. Será que elas saberiam o que é o tempo?

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – verão 2013.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Viagem


Viagem

Na solidez do meu fim,
fica guardada toda a imaginação,
a cada repique dos sinos,
uma multidão se refaz sobre as estepes.

Malditas feito cegos no jardim
a colher as flores do esquecimento,
guardadas em caixas de nuvens,
feito céu que não se abriu,

qual casulo que não pariu.

Imaginadas em cirandas sem início,
fim ou meio,
cantigas para vistas sem receio,
espadas cravadas sob um claro devaneio.

Amanhecido de mim,
findou enquanto vivi,
em todas as labaredas criadas,
versos impuros e almas encurraladas.

Doce sabor do mistério,
de criatura que não foi criada,
do invisível na noite calada,
das frias montanhas,

da nossa doce escalada.

Bernardo G.B. Nogueira
Inverno – Conselheiro Lafaiete

Canção para embalar a leitura:
http://www.youtube.com/watch?v=TL_FEFMlzVY

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Espera


Espera

Eu vou te esperar,
sempre vou estar aqui,
ali ou acolá,
mas a sua espera vou ficar.

Eu vou te esperar,
mesmo que a chuva não caia,
que o sol não saia,
independente de ser uma cilada.

Eu vou te esperar,
inclusive quando chorares,
a cada sorriso e nos dias sem tardes,
ainda que sua mão sem mim se distraia.

Eu vou te esperar,
depois da noite e pela madrugada,
a cada manhã, acordada,
mesmo que a solidão esteja minha enamorada.

Eu vou te esperar,
antes e ainda que se despeça sem uma última mirada,
com toda a fornalha do alvorecer, estarei sua finada,
de maneira que seja livre sua estada.

Eu vou te esperar,
por mais que outros olhos te levem,
leve permanecerei como sentinela, de guarda,
como um gato apaixonado pela sua empregada.

Eu vou te esperar,
mesmo sabendo que irá se demorar,
ainda que tenha sorte em sua escapada,
mesmo que seja outra a sua morada.

Eu vou te esperar,
mesmo que em ti, outro corpo tenha se esgueirado,
de um jeito que seja mais que o esperado, mais que pecado,
porque esperar mesmo é maior que o tempo contado.

Eu vou te esperar,
por toda tarde desaquecida pelo vão de ti,
e ainda que saiba que não voltarás,
irei esperar.

Pois foste sempre aquele que me fez esquecer,
aquele que a vida fez aparecer,
aquele que me mostrou que o tempo não existe,
e que há apenas o amor, arte da espera, arte do viver.

Bernardo G.B. Nogueira
Outono – Itabirito.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Tarde-manhã



Tarde-manhã

Tenho sempre que escrever coisas. Não sei bem o porquê disso. Das coisas e da escrita. Só sei mesmo é que são coisas e são palavras. Talvez seja mais uma tolice pensar no  que são ou poderiam ser palavras e coisas. Se se identificam, aparece outro mistério que não hei de descobrir nessa minha existência entre as letras e as coisas. Ah, e eu só não escrevi entre as palavras e as coisas para que as pessoas não pesassem que eu estava de alguma forma a querer me referir ao Michel Foucault. Não, definitivamente não seria correto pensarem isso de mim. Esse é outro enigma que se me aparece nessa tarde-manhã de outono. Que coisa mais bela são essas tardes que não se desgrudam das manhãs. Quiséramos nós que sempre fosse tarde-manhã e sempre também fosse esse outono que não sai de mim. Quando falo não sai de mim também não quero fazer alusão indireta à musica que fala de saudade.

Bom, sei bem que escrevo coisas em formas de palavras. Que é uma tarde-manhã da estação que mais gosto e que ficar sozinho é muito mais fácil que acompanhado, ao menos não precisamos dar palavras a ninguém e podemos escrever palavras sobre coisas. Mesmo sem saber o que são e o que hão de ser. Quanta coisa boa deixamos de aprender quando aprendemos. Essa coisa de saber o que são as coisas é coisa muito chata e que os adultos nunca deveriam fazer com as crianças. Quando elas não sabem, inventam, e os inúteis dos homens adultos ficam buscando palavras para dizer das coisas, e quando encontram as palavras ficam querendo saber o que seriam as coisas senão sinônimas das palavras que criaram para elas. Realmente é mais chato que eu poderia pensar essa coisa de entender.

Parece que quando queremos encontrar uma realidade que se torne passiva às nossas compreensões fica tudo mais difícil e também menos interessante. Se acaso as pessoas tentassem entender por que essas palavras e por que essas coisas, duvido muito que entenderiam qual o real motivo pelo qual escrevo. Inventariam uma teoria maravilhosa que conseguiria encontrar abstrações tamanhas que os faria a eles, ingenuamente, entender o que estava a figurar por trás da tal escrita, das palavras e das coisas. Advirto, não me estou a referir ao Foucault - e não que ele não seja uma pessoa a quem fosse interessante referir. Mas quero somente me referir a palavras e a coisas. Sem que o entendimento delas seja buscado e muito menos que essa possibilidade seja almejada. Quero só o infinito dos meus olhos que nem se atrevem a abrir as cortinas. Se abrisse a cortina todo esse mistério poderia se acabar e aí seria eu mais um adulto que sabe que não existe tarde-manhã e que se habitua ao relógio. Isso estaria diretamente ligado à minha impossibilidade de amar. Porque amar sem mistério é como irrigar jardins de pedras.

Daí que é esplêndido escrever sem estar comprometido com essas pessoas que sabem de tudo e cobram referências para o que escrevemos. Inclusive, as referências deveriam ser abolidas da escrita. E olha que me referi ao Michel Foucault. Mas o fiz para dizer que não estava me referindo. Como são bons os paradoxos. Aliás, esse é outro problema que enfrentamos. Não podemos ser paradoxais, sob pena de um diagnóstico bem referenciado de bipolaridade. Que coisa boa seria se as pessoas fossem menos unipolares como os pesquisadores que destrincham as ideias de um autor e sentem-se bem por isso. Sinceramente, dever-se-ia chamar a atenção dessas pessoas: Olhem! Respeitem os mortos! Criem! Mas talvez isso seja explicado para dizer que a história daqueles que se foram e pensaram deve alimentar nosso pensamento. Então, mais uma vez eu insistiria na subversão do furto. Furtaríamos a história deles e faríamos a nossa própria. Sem citações e sem referências. Talvez o mundo se tornasse mais novo se não houvesse tantas referências, sempre tão precisas, tão contextualizadas e tão bem colocadas. Essa bem colocância poderia ser trocada por uma inventância. O sentimento de saudade poderia passar a significar outra coisa se nos permitíssemos a isso. Desculpem, não quero usar meu texto para dar conselhos e inventar outra forma de falar das coisas. Se eu fizesse isso estaria me portando como os que citam, os que referenciam e se esquecem de esquecer e de inventar.

Sei que não abrirei a cortina. Não estou a me preocupar de nenhuma maneira com o entendimento do lance das palavras e das coisas. Menos ainda se é tolice ou não escrever apenas para dizer que não me importo. Importa a mim esquivar os olhos da luz e não procurar. Pois quem procura acha. E, eu, eu não estou a fim de encontrar. Que me saiba bem os desencontros e também os encontros. Com choros e sem eles também. Com todos os ingredientes que não fui eu que coloquei. Que sejamos achados e menos encontrados. Que em um dia em que não abrires a cortina, não fiques com receio por não teres sabido o que aconteceu. Isso por um motivo simples. Na verdade, não acontece nada. Só acontece se o seu coração for um cérebro e não um coração, porque quando o coração é coração, não acontece, não existe verdade e menos ainda mentira. A coisa que sai do coração não tem palavra não. E ela não se dá a isso também não. Por isso senhor adulto, gentileza não querer me explicar, eu não estou a fim de você e de seus saberes. Deixe-me aqui com meus sonhos e todas as minhas mentiras. Com todas as palavras que não sei o que são, com todas as coisas que não sei o que serão nesse dia que é tarde-manhã e no qual resolvi escrever para mim e não para o seu entendimento. Resolvi escrever porque dentro de mim tem um monte de mundos sem explicação, porque dentro de mim tem um coração. Mesmo que não exista o outro lado da cortina, o outro lado da retina ou uma tarde-manhã.

Bernardo G.B. Nogueira
Outono – tarde-manhã

quinta-feira, 3 de maio de 2012

aurora


aurora

pura e crença,
iminência,
dos olhos de ti,
das frestas de mim,

para um vale sem fim,
se esvai em tom,
ausência da voz,
fragrância em pétalas,
e vento que distrai a noite,

vivência
de ninfas intensas,
em balé de cor,
de sempre dizer da flor,

acalenta a seu jeito,
rebenta,

por romper o som,
silência,

toda cor, todo o bom,
inventa.

GB Nogueira
Belo Horizonte – outono, 2012.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

O Palhaço...




Palhaço


Nossa! Isso aqui a esta hora sempre está vazio!

A exclamação daquela mulher, em uma manhã acinzentada que contrastava com o espírito de Gaia, a trouxera de volta para sentidos reais envoltos a um cheiro de fumaça de carro misturada com um ar parado da mesma manhã que não tinha cara de primavera - Gaia foi um apelido dado por um tio que sabia-se metido a filósofo e que gostava de alcunhar as pessoas com os elementos do globo.

Essa mesma exclamação criaria espaço para que um sem fim de lugares se apresentassem aos olhos dessa mulher que tinha pela frente apenas uma manhã, as próximas horas não estavam sob as suas previsões. O clima e os cheiros da manhã seriam os únicos guias para Gaia.

Seguiu um caminho não traçado. Seus passos foram se desenhando e a ela caberia apenas ir, não havia como alterar a rota de uma traçado desconhecido. A manhã ainda permitia os óculos escuros. Quase um escudo. Antes de sair do carro, ainda havia olhado pelo vidro a tentar desafortunadamente alcançar o tom da mulher dona da exclamação avivadora. No entanto, a moça nem sequer titubeou, altiva, entrou no carro e se perdeu por entre os vidros negros. Restou a Gaia, apenas o timbre dos olhos cor de amêndoa e vivos como os de um recém-nascido.

Mais um passo, e agora já estava dentro do shopping. O cenário deste local é menos aterrorizante nos dias "de semana" pela manhã.

Lembrou-se de tirar os óculos alguns minutos depois das indagações que recebia entre os olhares dos demais transeuntes. Riu de si mesma. Lembrou do tio que sabia-se filósofo e riu das pessoas ao seu redor.

Como não havia programado sua ida, fez coisas que habitualmente faria. Comeu um sanduíche que nas propagandas se apresentava um tanto mais apetitoso. Tomou também um copo inteiro de Coca-Cola. Levantou-se da sempre tumultuada praça de alimentação e lançou-se ao encontro das pessoas. Tinha lá uma tese de que dentro dos shoppings e dentro da alienação capitalista as pessoas viviam como sonâmbulos, não sabiam que estavam ali, e entorpecidas precisavam de um espetáculo qualquer para retomarem a "consciência". Precisavam comprar.

Percebeu que ainda estava absorta pela exclamação da enigmática mulher de olhos amendoados que encontrou na entrada do shopping. Não era o sanduíche que estava sem gosto. A realidade em que se havia dado é que não permitia sentir seu gosto. Talvez um filme soubesse bem àquele momento. Sim, seria.

Caminhou lentamente até a bilheteria, sacou o cartão, pagou e se entregou. O momento em que a atendente falava sobre as opções de filmes foi saltado por Gaia, apenas disse que seria o filme da próxima sessão. Só depois percebeu qual seria o filme a ser exibido: "Palhaço". O nome com toda carga mágica que carrega consigo trouxe em Gaia uma explosão de sentimentos nostálgicos de sua infância. A canção que apresentava o filme fez com que seus olhos fechassem e sua alma levitasse até uma infância que não viveu. De soslaio conseguiu perceber que o diretor já era conhecido por ela, daí, inocente se deu ao filme.

De dentro da sala de cinema não havia tanto o que dizer, uma arte sendo encenada dentro de outra arte foi uma sensação que Gaia apenas havia experimentado enquanto ouvia as teorias de seu tio metido a filósofo e artista. Sensações daquelas em que o espírito parece querer pular para fora do corpo em pura magia. Palavras não seriam o bastante para essa expressão.

Assim, como acontecera num romance de Garcia Marquéz, em que, o local, de tão inóspito, não trazia ainda conceitos para explicar as coisas, carecia, portanto, que as pessoas apontassem o dedo para indicar as coisas - ações típicas de criança. Foram assim os momentos dentro da sala de cinema que há muito já se havia transformado em uma imensa lona de circo.

A criança que saltitava dentro do coração de Gaia tinha sonhos tão distantes que por vezes seus olhos marejavam - ora de cansaço pela viagem que nunca chegava, ora de saudade de uma infância distante que ela não havia presenciado, pura emoção. Mais uma vez uma sensação infantil. Toda esta sentimentalidade foi para Gaia também uma surpresa, como aquelas que temos quando ganhamos uma bicicleta no Natal.

Resolveu, lá pelas tantas, também "ser de circo". Mas não foi um gesto de escolha tão somente. Havia um amor e uma incerteza a flamejar em seus olhos de mulher que agora era criança. Essa incerteza tinha o gosto salgado das lágrimas que tomavam seu rosto diante do circo.

Quando foi "de circo", riu do palhaço e sonhou ao ver o malabarista. Amou o poeta e se entristeceu a cada baixar de lonas. Cerrou os olhos e depois já era outra paragem, outra cidade, risos outros, olhares e lágrimas também. Viu o palhaço triste a se perguntar quem o faria sorrir. Viu amores nascendo sob a lona criadora de sonhos. O circo era pura magia.

Ao sair da sala de circo, resolveu perguntar à mulher de olhos de amêndoa qual o sentido e o problema de estar ali sempre vazio em manhãs escuras de um dia de semana. Gaia, por certo, não iria encontrar mais essa moça. Ela já estaria entretida no espetáculo do mundo.

Da porta do shopping, agora via pingos de chuva, não poderia mais colocar os óculos escuros. Mas, não havia mais essa preocupação, nem com os óculos e nem com a mulher do carro com vidros negros. O circo tinha que continuar. Agora, Gaia tinha uma amiga, Aurora. Tinha esse nome, pois foi ela quem trouxe o novo, a que foi criança todos os dias, a que permitiu Gaia preencher a manhã, vazia. Aquela que iniciou seu dia. Aquela inocente que acredita em palhaço!

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito - de manhã.