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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

“propostinha”


“propostinha”

se "casar" comigo,
 tem poema em hora errada,
 cinema de madrugada,
risada alta e barulho na escada,
carinho em noite gelada,
olhos prendidos em sua chegada,
mãos quentes com flores brotadas,
cama macia e chuva lá fora,
 abraço apertado,
alma lavada,
amor a todo tempo,
porque tempo é frio sem namorada.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – primavera.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Espera


Espera

Eu vou te esperar,
sempre vou estar aqui,
ali ou acolá,
mas a sua espera vou ficar.

Eu vou te esperar,
mesmo que a chuva não caia,
que o sol não saia,
independente de ser uma cilada.

Eu vou te esperar,
inclusive quando chorares,
a cada sorriso e nos dias sem tardes,
ainda que sua mão sem mim se distraia.

Eu vou te esperar,
depois da noite e pela madrugada,
a cada manhã, acordada,
mesmo que a solidão esteja minha enamorada.

Eu vou te esperar,
antes e ainda que se despeça sem uma última mirada,
com toda a fornalha do alvorecer, estarei sua finada,
de maneira que seja livre sua estada.

Eu vou te esperar,
por mais que outros olhos te levem,
leve permanecerei como sentinela, de guarda,
como um gato apaixonado pela sua empregada.

Eu vou te esperar,
mesmo sabendo que irá se demorar,
ainda que tenha sorte em sua escapada,
mesmo que seja outra a sua morada.

Eu vou te esperar,
mesmo que em ti, outro corpo tenha se esgueirado,
de um jeito que seja mais que o esperado, mais que pecado,
porque esperar mesmo é maior que o tempo contado.

Eu vou te esperar,
por toda tarde desaquecida pelo vão de ti,
e ainda que saiba que não voltarás,
irei esperar.

Pois foste sempre aquele que me fez esquecer,
aquele que a vida fez aparecer,
aquele que me mostrou que o tempo não existe,
e que há apenas o amor, arte da espera, arte do viver.

Bernardo G.B. Nogueira
Outono – Itabirito.

terça-feira, 17 de abril de 2012

Do barulho do namoro


Do barulho do namoro

Uma primeira chuva
cor de sonho,
na primeira gota, voou
em canto de água turva.

Mistérios de olhos nus,
corpo estendido sob a luz,

em faces bailarinas,
traduz,

em seiva dançante,
conduz,

Chuva forte e desvairada,
vento dado na galhada,
estrada estranha desvendada.

Pairaste cedo sob minha morada,
com uma gota de cada vez,
primavera em eterno outono,
minha namorada, meu talvez.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito - outono