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sábado, 27 de julho de 2013

na real



na real

há vidas em  uma vida,
dias em um apenas,
horas em um momento,
todas galopando
a arrebatar olhares,
que também tem muitos em um só,
com o mesmo cheiro de uma esquina
qualquer,
resto de solidão,
que são várias
e que é canção,
desdita ao certo,
mas ainda criação,
dentro do instante
cai a vida
nasce o ato,
era outro artista em vivação,
estar vivo é uma cena em plena multidão...

B.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

poema da vida real



poema da vida real*

a gente fecha os olhos,
abre os poros
e a vida voa
com cheiros e deslizares
de sons e toques
pelas entranhas do coração,
quando o dia ficou grande
a manhã virou morada
e não havia mais tempo
tinha que haver encontro,
todas as estações foram primavera,
dentro dos seus suspiros nascia um novo mundo
meus olhos agora só poderiam chorar
pois que com chuva a chegada é mais poesia
e minhas lágrimas te recebem agora
pra um tempo que é distante
e pra uma vida que é nossa salvação,
pra chorar, rir e pra nada não...

B.

*som para ler o poema:
http://www.youtube.com/watch?v=IO7F5KojNoU&list=PL86DAF6E3B64D1869

domingo, 2 de junho de 2013

duvidação



duvidação

sabe-se lá se cada manhã deveria mesmo ser cantada,
nela se foi mais uma noite.
achamo-nos enganados em louvar a vida?
seria mais entendido louvar a morte?
dela temos toda a incerteza,
enquanto isso vivemos a correr,
dela e p’ra ela,
sem nos darmos conta,
caminhamos à mercê da vida,
mãos dadas com a morte,
uns com mais fervor,
outros mais distraídos,
aqueles contando horas,
esses últimos, prosas,
vendo os rios,
ah! essa manhã de outono me acabrunha,
sei se a dela me enamoro e faço cria?
sei se dela me desdenho e faço rima?
de todas as curvas,
a madrugada fez-se boa,
pois que de duvidar é que a gente voa,
e sem saber se dia ou noite,
se tarde ou aurora,
vacilo pelas tardes daquela estação que nem ri e nem chora,
todo outono a gente nasce,
e todo outono a gente morre,
as velas?
...podem acender pra quem nunca morreu.

B.

terça-feira, 21 de maio de 2013

à ti que vens...



à ti que vens...

não importa,
vou arrumar a casa
manter a cama estendida
os pratos alinhados
 e o vinho servido à medida tua
seu cheiro a encantar a rua
pela noite durmo a esperar
durante o dia arranjo os detalhes
enquanto sonhar
sei que um dia virá
mesmo que casa não há
mesmo que só lhe possar dar a lua
esse outono é seu
podes chegar...

B.

domingo, 12 de maio de 2013

saltar, olhar, saltar ao mar...



saltar, olhar, saltar ao mar...

dar uma breve mirada pelo precipício
e não saltar.
Ver o horizonte,
sentir o vento
 e cheirar o sol,
deixar o aroma
queimar a pele,
não voar e curtir o sonho,
saltar, 
sentir o vento na face
cortar o abismo de mim,
mergulho no sol,
queda livre,
tocar o infinito sempre que houver um beijo,
sem querer a estrada me empurrou,
amar é caminhar sem olhar pro chão...

B.
outono.