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sexta-feira, 26 de julho de 2013

noite branca



noite branca

dos dias sem cor,
resta o enlace da noite
com flor,
anterior
a todos os delírios,
conjuntos feito sinfonia
distorcida
pela cama
desarrumada de amor,
a escorrer cores de suor
pela estrada de suas sendas,
vendas retiradas
pra um sol que não brotou,
do ventre
apenas o frescor dos amores,
novos
contornos de cheiros com lua
branca a confundir seu riso,
largo
o braço sob a sombra,
cada vez que dormes
cantam as cores...

B.

poema da vida real



poema da vida real*

a gente fecha os olhos,
abre os poros
e a vida voa
com cheiros e deslizares
de sons e toques
pelas entranhas do coração,
quando o dia ficou grande
a manhã virou morada
e não havia mais tempo
tinha que haver encontro,
todas as estações foram primavera,
dentro dos seus suspiros nascia um novo mundo
meus olhos agora só poderiam chorar
pois que com chuva a chegada é mais poesia
e minhas lágrimas te recebem agora
pra um tempo que é distante
e pra uma vida que é nossa salvação,
pra chorar, rir e pra nada não...

B.

*som para ler o poema:
http://www.youtube.com/watch?v=IO7F5KojNoU&list=PL86DAF6E3B64D1869

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Em cada esquina...

Em cada esquina

É uma aventura cada corpo silencioso,
esgueira por entre seus olhos,
a brincar com sua imaginação e poros,
daí já não é mais um só, um par, ditoso.

Murmuram dentro de ti as vozes do outro,
como amantes que se juntam,
cegos, em forma d'alma acariciam seu dorso,
fantasiam o tempo, como se juntos fossem todos.

Desse espanto floresce o novo,
não aquele, o esperado,
mas um outro, encenado, feito peça de teatro.

É um palco cada esquina,
em que jazem maravilhas e incertezas,
em seu olhar que um dia foi cantiga, p'ro meu amor, inacabado.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires

sábado, 17 de dezembro de 2011

Poema ao rock'n rool

Poema ao rock'n rool

Acordes infinitos e sons do coração,
olhares perdidos, um sorriso, canção,
vida e morte em atrito, encenação,
do palco, guitarras, letras, pulsação.

Do meu peito sentido, vibração,
mãos se enlaçam em ovação,
amores perfeitos e desilusão,
ode de deuses, revolução.

Nesta noite esguia, uma paixão,
adeus do mundo, transcensão,
d'um beijo eterno, realização,
baixo e bateria, visão de mundo, libertação.

Bernardo G.B. Nogueira
canção...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Quando saí pela cidade de mim...

Quando saí pela cidade de mim...

Precisei ir um pouco ali fora,
ali adiante, decerto trocar apenas alguns passos não distantes,
ouvir um marulho de pingos, e vozes, e risos,
colher alguns olhares por detrás de silhuetas malvestidas, invertidas.

Tem um sentido todo diferente por ali afora,
ali aonde colho algumas rosas, duas ou três, mais não.
As mãos não sustentam muito tempo mais do que podem,
fingir não dá mais, ali fora as cores das rosas não são frígidas, nítidas.

Os passos são jogados contra o vento que diz coisas estranhas,
um passo mais e outro, e tantos outros, diferentes e imprecisos,
cambaleantes, sucedem uma digestão de pensamentos,
trocadilhos mal feitos de uma avenida sem limite, ouvinte.

Afora minha pretensiosa distinção das noites,
há um desenho complexo por entre estas vidas entrelaçadas e embaçadas.
Sentimentos, luzes, fumaças, uivos de ventos e algumas vozes, até placas.
Formas distintas, variações de uma mesma percepção, emoção.

Truques desvairados ostentam essa visão,
dão-se ao corpo, e sem direção, se entregam,
as flores que tiveram um cheiro agora são tapetes,
almas de poetas, embriaguez pela cidade, amores, vida e sensação, desrazão.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – chuva.