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quinta-feira, 26 de julho de 2012

Paixão...um, dois...


Paixão...um, dois...

Beba toda a garrafa
antes que amanheça
a noite se desfaça
e a uva torne farsa.

Logo, breve como o tom,
instante como o amor,
poeta qual uma flor,
constante, com ardor.

De serenata com primavera,
em tez sentida e sincera,
pois cálida é sua quimera.

Cai em prantos sem espera,
do fim do corpo que me encerra,
ao fim do gole, me desespera...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete - inverno

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E todas as estações passaram,

E todas as estações passaram,

noite e dia,
morte e vida,
verdade e alucinação,

lucidez divina e maldição,
canção de lira e surdez ao chão,

estrada perdida,
sem encontros ou perdão,

tristeza plena e felicidade ao meio,
luz e escuridão,

paz de dentro contra um furacão,
de fora o vento, e no peito aflição,

uma voz serena e olhar de criação,
abraço terno e fraqueza sem medidas, sem palavras,

de um acorde branco, se fez estampido,
nos ouvidos sensíveis harpas em sifonia,

céu intenso, com inferno próximo,
perdição do corpo e calidez no sonho,

interior profundo, riso defunto,
levanta-se na noite, e se parte em cacos desnudos.

Inverno, verão,
Outono e canção.

Só a primavera que imaginamos não passou,
floresceu.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Tango

Tango

Além do tanto, de amor,
além do pranto, nasceste flor,
além do dia, noite sem dor,
além do frio, cadente astro em calor.

Além do sonho, vida e torpor,
além das cifras, improviso que passou,
além de mim, me passaste como que sonhou,
além das sombras, me levaste a escuridão.

Além do palco, foste poesia e canção,
além de toda magia, fizeste em mim, criação,
além de todas as notas, cantaste em mim, coração.

Além de todo o bailar, encantaste meus olhos em aparição,
além de toda a vida, fizeste de mim encenação,
além de todo o tango, bailaste em meu espírito, agora sou só paixão.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires – tango e amor.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sei...

Sei

Sei que é distante demais o que me aproxima,
sei que é perto demais o que me apaixona,
sei que é poesia demais o que me encanta,
sei que é um mar demais o que me leva.

Sei que é perene demais o que me entristece,
sei que é infinito demais o que me apetece,
sei que é brilho demais o que me esquiva,
sei que é líquido demais o que me embriaga.

Sei que é canção demais o que me embala,
sei que é rima sem dor que me exala,
sei que é um sol demais que me trabalha.

Sei que é uma lua serena que me levanta,
sei que é uma arte demais que me suplanta,
sei que são seus olhos demais que me criam como criança.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires

sábado, 17 de dezembro de 2011

Poema ao rock'n rool

Poema ao rock'n rool

Acordes infinitos e sons do coração,
olhares perdidos, um sorriso, canção,
vida e morte em atrito, encenação,
do palco, guitarras, letras, pulsação.

Do meu peito sentido, vibração,
mãos se enlaçam em ovação,
amores perfeitos e desilusão,
ode de deuses, revolução.

Nesta noite esguia, uma paixão,
adeus do mundo, transcensão,
d'um beijo eterno, realização,
baixo e bateria, visão de mundo, libertação.

Bernardo G.B. Nogueira
canção...