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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O que resta...

O que resta...

Dizia palavras inventadas cada vez que sonhava,
cantos em tom de flor que caía,
flauta doce de sua espera enquanto dormia,
sozinho com seu amor, eterna companhia.

E toda noite assim era sinfonia,
na manhã que vinha,
torpor me trazia,
assim como andar cego pela vinha,

o cheiro parecia que não existia,
desatino incontido em mar e nostalgia,
ode serena à lua que ali jazia.

Toda a sua criação se esculpiu em poesia,
minha mão foi agora sua guia,
meu sorriso encantou-se pelo seu sonhar,
                                                               agora é só vida,
                                                               fantasia.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – inverno.

sábado, 23 de junho de 2012

Tocar e mulher


Tocar e mulher

Me tenha como mulher,
sua mulher,
me toque feito mulher,
detenha-me quando nao mais puder,
sem pudor esteja a meus pés,
recline-se sob meu viés.
Não se pretenda menor que reis,
não me entenda, não és,
escreva nada, esvaeço logo,
depois dos olhos, antes do amor,
ante eles todos sou torpor.
Precedo a ti e a tudo,
me torno sua condição,
me pedes, não concedo não.
Crias, ordeno-te!
sob pena de viver em reclusão,
de minha vida e de minha imensidão.
Me toma como mulher,
feito bicho sem explicação,
qual pétala que flutua em admiração,
trata minha pele como tela de pintar,
rabisque nela sua vida e toda minha perdição.
Do menor gesto faça canção,
de grande ato, precisa não,
que mulher é como arte
precisa ser sutil, leve, vem, e não avisa não.
É como aquela fresta que tornamos paixão,
feito verso que se torna samba,
como rima que é canção.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – inverno.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sei...

Sei

Sei que é distante demais o que me aproxima,
sei que é perto demais o que me apaixona,
sei que é poesia demais o que me encanta,
sei que é um mar demais o que me leva.

Sei que é perene demais o que me entristece,
sei que é infinito demais o que me apetece,
sei que é brilho demais o que me esquiva,
sei que é líquido demais o que me embriaga.

Sei que é canção demais o que me embala,
sei que é rima sem dor que me exala,
sei que é um sol demais que me trabalha.

Sei que é uma lua serena que me levanta,
sei que é uma arte demais que me suplanta,
sei que são seus olhos demais que me criam como criança.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires