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domingo, 15 de janeiro de 2012

Paradoxo sou

Paradoxo sou

Sou tão paradoxo que sinto o frio no sol,
sou tão paradoxo que a lua me trás calor,
sou tão paradoxo que vinho me torna lúcido,
sou tão paradoxo que a lucidez me faz esquecido.

Sou tão paradoxo que estar sozinho é qual um diálogo,
sou tão paradoxo que a comunhão me retira a alma,
sou tão paradoxo que o chão me causa incerteza,
sou tão paradoxo que o céu me parece canção.

Sou tão paradoxo que os pingos da chuva esquentam minh’alma,
sou tão paradoxo que a falta deles me trás lágrimas molhadas,
sou tão paradoxo que a secura dos dias me transborda o olhar.

Sou tão paradoxo que de dia sou amante seu e a noite me dá o mundo,
sou tão paradoxo que declamo meus sentimentos, p’ra depois sofrer o arrependimento,
sou tão paradoxo que escrevo para dizer, quando o silêncio é o dito de maior prazer.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Sei...

Sei

Sei que é distante demais o que me aproxima,
sei que é perto demais o que me apaixona,
sei que é poesia demais o que me encanta,
sei que é um mar demais o que me leva.

Sei que é perene demais o que me entristece,
sei que é infinito demais o que me apetece,
sei que é brilho demais o que me esquiva,
sei que é líquido demais o que me embriaga.

Sei que é canção demais o que me embala,
sei que é rima sem dor que me exala,
sei que é um sol demais que me trabalha.

Sei que é uma lua serena que me levanta,
sei que é uma arte demais que me suplanta,
sei que são seus olhos demais que me criam como criança.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires