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sexta-feira, 26 de julho de 2013

mistura



mistura

Exijo apenas que me ame
Apenas,
Mesmo que a duras penas
Deixe as plumas de lado
Voe entre o quentume do gozo
Namore o riso ditoso
Mas exijo que também não me ames
Que me esqueça
Deixe-me só
Se vá, ao longe
Bravia, esqueça,
Enfim,
Não exijo-te nada
Se dê ao mundo
Com amor e olhar
Deite-se pela chuva
E corra entre as folhas do outono
Cada primavera faça sua morada
Esqueça o que te exijo
Ame e não ame,
Ao mesmo tempo...

B.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Poesia versus poema



Poesia versus poema

Estou diante de ti,
sou eu uma criação sua,
voz que carrega sua trama,
leito que suporta sua lama.

Deito sobre ti
meu seio de sonhos e frustrações,
dizeres malditos sobre suas transformações,
me dou ao seu timbre sem direção,

mais uma vez sou sua,
sem medos,
muda, mundo,
entregue, sem ambição,

Me quero apenas em ti,
sorver seu cheiro e te perder em mim,
labirinto intocado de deus fantasioso,
és cria do impossível, filho desditoso.

Adeus poema,
tens em ti rimas,
métricas e dorso,
sou herói bandido, destruo seu porto.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – quando os sinos dobram

domingo, 15 de janeiro de 2012

Paradoxo sou

Paradoxo sou

Sou tão paradoxo que sinto o frio no sol,
sou tão paradoxo que a lua me trás calor,
sou tão paradoxo que vinho me torna lúcido,
sou tão paradoxo que a lucidez me faz esquecido.

Sou tão paradoxo que estar sozinho é qual um diálogo,
sou tão paradoxo que a comunhão me retira a alma,
sou tão paradoxo que o chão me causa incerteza,
sou tão paradoxo que o céu me parece canção.

Sou tão paradoxo que os pingos da chuva esquentam minh’alma,
sou tão paradoxo que a falta deles me trás lágrimas molhadas,
sou tão paradoxo que a secura dos dias me transborda o olhar.

Sou tão paradoxo que de dia sou amante seu e a noite me dá o mundo,
sou tão paradoxo que declamo meus sentimentos, p’ra depois sofrer o arrependimento,
sou tão paradoxo que escrevo para dizer, quando o silêncio é o dito de maior prazer.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não...

Não

Não se demore demais,
o sol pode não dormir,
a lua pode não parir,
o amanhecer pode ser no cais.

Não se demore demais,
a vida pode estar cantada,
o amanhã pode ser nada,
e o passado pode ser demais.

Não se demore muito,
o grito pode não ser ouvido,
a canção pode ser calada.

Não se demore demais,
a alma até pode morrer em paz,
mas o coração, em sua estrada, suspira e jaz.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires

domingo, 31 de julho de 2011

LOPE DE VEGA

Rendo aqui minha tardia homenagem a Lope de Vega. Poeta que tive acesso a poucos dias e que, de pronto, encantou.
Fantástico!!!

Файл:Lope de Vega (M. Fuxà) Madrid 01.jpg

DESMAYARSE, ATREVERSE, ESTAR FURIOSO

"Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde, animoso,

no hallar, fuera del bien, centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso.

Huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;

creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño:
esto es amor. Quien lo probó lo sabe."


"Desmaiar-se, atrever-se, estar furioso,
áspero, terno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, defunto, vivo,
leal, traidor, covarde e valoroso;


não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
enfadado, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, receoso;


furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno qual licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;


acreditar que o céu no inferno cabe,
doar sua vida e alma a um desengano,
isto é amor; quem o provou bem sabe."


SONETO DE REPENTE

"Um soneto me pede Violante,
nunca na vida estive em tal aperto;
quatorze versos dizem que é soneto:
brinca brincando lá vão três avante.

Não pensei que encontrasse consoante,
e na metade estou de outro quarteto;
mas, se me vem o início de um terceto,
cá nos quartetos nada há que me espante.

No primeiro terceto vou entrando,
e parece que entrei com o pé direito,
pois fim com este verso lhe vou dando.

Estou já no segundo, e ainda suspeito
que vou os treze versos acabando;
contai se são quatorze, e ei-lo: está feito."