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sexta-feira, 26 de julho de 2013

não é saber



não é saber

ontem naquele momento fatal
último e primeiro,
não estiveste aqui,
deixou na carne a face de ti,
fugiu pelo vento que varria a cidade suja
de quintais ausentes de memória,
era tudo fim, início e um colosso de anunciação,
eclipse de vida,
novamente o furacão,
dentro daquela noite não se viu canção,
deixaste traços imperfeitos pela mesa,
fugidia como labaredas a clamar pelo céu,
nenhuma história mais foi contada,
os versos tropeçaram pelo cheiro que restou,
embriagado ficou o ar,
e naquela estrada
por onde o pó levou os passos,
não havia mais,
menos ainda ao mar,
que dormia sem ressaca,
depois de hoje,
que amanhã nem sei se irá raiar...

B.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Depois

Depois

depois podemos pisar no mato,
depois podemos deitar no ar,
depois podemos voar no deserto,
depois podemos olhar a chuva,
depois podemos tocar na noite,
depois podemos soltar as mãos,
depois podemos fechar os olhos,
depois podemos acariciar o traço,
depois podemos beijar as gotas,
depois podemos cantar aos deuses,
depois podemos derramar o vinho,
depois podemos despertar o dia,
depois podemos derramar a tinta,
depois podemos esquecer os sonhos,
...
mas só depois, porque agora só podemos amar.

Bernardo G.B. Nogueira

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Não...

Não

Não se demore demais,
o sol pode não dormir,
a lua pode não parir,
o amanhecer pode ser no cais.

Não se demore demais,
a vida pode estar cantada,
o amanhã pode ser nada,
e o passado pode ser demais.

Não se demore muito,
o grito pode não ser ouvido,
a canção pode ser calada.

Não se demore demais,
a alma até pode morrer em paz,
mas o coração, em sua estrada, suspira e jaz.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sem dizeres, nem tempo, nem dias, poesia!

Atemporal

Ontem tu chegastes,
entrastes em mim,
incontrolável e profunda.

Beijo-te...hoje,
o quanto,
o tanto,
o mesmo dos sonhos.

E mesmo depois,
de já entregue o coração,
nada mais há que dispor,
amanhã também amarei você.

Bernardo G.B. Nogueira