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sexta-feira, 26 de julho de 2013

verdade



verdade

já abençoava o poetinha,
não fique com coisa com a vida,
ela vai passar,
os dias
os rios e até os anos,
depois vem o que não se sabe,
ontem e até amanhã,
noite fria e dia com sol,
vai cair chuva,
vai demorar o trem,
a estação vai até chorar,
a lágrima pode ser companhia do coração,
depois vai ter sorrir também,
tarde infinita com ar de poesia,
porque a gente é toda assim
é e não
ir e voltar
samba e canção,
incertezas da nau de mim,
vagueando pelos olhos seus,
cego como a vida,
lúcido feito amor,
mesmo que sonho...

B.

domingo, 12 de maio de 2013

imundo



imundo

amanheço querendo o mundo
entardeço ao sol
com versos nas mãos
anoiteço cansado do mundo
fecho os olhos e olho pro mundo
abro as mãos e abraço o tempo
deito-me consigo e tenho o mundo
amar é mundo

outono
B.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

esquerda



esquerda

Queria que fosse com revolução,
sem falta de sentido ou direção,
qual flecha de índio a guerrear,
como febre de picada de serpente,
feito o dia que o sol inflamou o peito
e a noite sangrou o coração.

Na mesma sanha que as lavas do vulcão,
pesadelo de vida real,
ataque de fera faminta,
sonho infinito e perdição,
parecido com despedida em dia de chuva.
Improvável como o poema,
implacável qual tragédia,
inevitável como o olhar.

Banhado de sangue e poesia,
com vinho a bailar,
esquecido ao mar,
solto e sem covardia.

Contra o exército e de mãos vazias,
acompanhado da fantasia,
amparado pelo impossível,
vida plena de galhardia.

Contra qualquer regra,
a favor da imaginação,
beijo demorado e sorriso de paixão,
queria que fosse revolução,
                                               sempre...
e nunca mais.

B.
Conselheiro Lafaiete – verão - 2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

pequeno passeio sem fim

pequeno passeio sem fim

há dias em que se acorda contra,
contra a luz,
contra a parede,
contrário e contrariamente,
sentido inverso,
ante o horário,
extremo e ácido,
não triste, impávido,
vazio de direções,
mar adentro,
de dentro do sonho,
pra fora do outono,
na primavera que cheira,
choveu quando brotou o dia,
longe demais pra ser tocado,
presente demais pra não ser notado,
pra dentro do peito a viagem é sempre sem retorno...

B.
verão – 2013.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

do tempo e das coisas



do tempo e das coisas

Lua cheia pra alumiar,
cheia do rio pra nadar,
sol à tardinha
vinho tinto depois do amor,
manhã fria pra abraçar,
texto lido pra chorar,
canção de rock pra enfeitiçar,
filme com bandido pra imitar,
estrada vazia indo até lá,
vela acesa meio ao luar,
toda a serenata do silêncio,
vento sorrateiro, arrepiar
dia inteiro,
noite a fio,
tarde afora,
todas as madrugas,
prontas a esperar...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – verão - 2013