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quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

do tempo e das coisas



do tempo e das coisas

Lua cheia pra alumiar,
cheia do rio pra nadar,
sol à tardinha
vinho tinto depois do amor,
manhã fria pra abraçar,
texto lido pra chorar,
canção de rock pra enfeitiçar,
filme com bandido pra imitar,
estrada vazia indo até lá,
vela acesa meio ao luar,
toda a serenata do silêncio,
vento sorrateiro, arrepiar
dia inteiro,
noite a fio,
tarde afora,
todas as madrugas,
prontas a esperar...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – verão - 2013

domingo, 16 de dezembro de 2012

espera...

espera...

e de novo esperei,
como a areia o mar,
a viola o tom,
a marola a canção,
a cama o amor,
o verso o avesso,
a estrada a saudade,
o beijo o corpo,
o olhar a alma,
a sede o toque,
a noite a vida,
o sertão a chuva,
a uva o vinho,
sua boca suspiro,
como "morena dos olhos d'água"...

Bernardo G.B. Nogueira
primavera - BH

domingo, 16 de setembro de 2012

???



???

Cadê você?
Agora que eu bebi...
agora que eu te amo,
agora que eu sou poeta,
agora que eu me afogo,
agora que me pranto,
agora que eu me decanto,
agora que eu me encanto,
agora que eu me prostro,
agora que eu me mostro,
agora que eu me monstro,
agora que eu me encosto,
agora que eu acendo,
agora que eu me apago,
agora que eu me esqueço,
agora que eu me despeço,
agora que eu me alucino,
agora que eu desperto,
agora que eu me fascino,
agora que eu me tardio,
agora que eu te amo a cada fração do seu hino?

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete - inverno

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Nem sempre


Nem sempre

É pena não estar ali,
cobri de querer o jardim
e deixei o cheiro para ti,
uma mão estendida assim.

De um lado havia pássaros,
em volta do banco, jasmim,
enquanto esperava, flauta,
doce verniz em tarde e cantos,

Simples feito de  esperança,
olhar de criança enquanto dança,

cada minuto era presença,
mas choveu,

depois dos pingos,
não mais eu,

rastros do jardim,
restos de mim,

Aceno de mãos esguio,
beijos desditos,
corpos perdidos
desfez o mito

Pedi a morte,
só restava o jardim.

GB Nogueira – outono – Ponte Nova

sábado, 31 de março de 2012

À espera do canto...


À espera do canto...

quase como uma gota de lágrima que ainda não choveu,
quase como um toque de lábios que se rompeu,
quase como um abrigo que o vento levou,
quase como um seu afago que não é meu,

qual a distância do rio que me torna mar,
qual a proximidade do rosto a se virar,
qual a faticidade do tempo a nos moldar,
qual a face da vida que a outra é morte.

a ti irei olhar,

como o filho que dá braços ao pai,
como a vela do barco que se dá ao vento,
como a palavra que se dá ao sentimento,
como a folha que se dá ao anseio do poeta.

feito um silvestre a caçar sua vida,
feito o artista a se perder no palco,
feito a criança que sente medo da noite,
feito o adulto que sente medo do amor.

estarei à espera de seu canto...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete

domingo, 22 de janeiro de 2012

Trem...

Trem

Esperei,
até o último silvo do trem,
passaredos e pessoas e ninguém.

Pessoas,
passaram pelo meus olhos em desdem,
acenos felizes ao encontro de alguém.

Olhares sinceros e mentirosos também.
Sol que não aquecia meu porém.

Lágrimas,
até o último abraço esperei,
fui tragédia de um trilho, de trem.

As borboletas continuaram em silêncio,
e de novo ia embora, o trem.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete