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sábado, 4 de agosto de 2012

O não ser que é...


O não ser que é...

Ah se tu fosse apaixonada por mim,
não te inventaria até altas horas,
teria a noite tranquila, haveria aurora,
não choveria tão forte, a vidraça não me amedrontaria.

Seu cheiro faria nascer minha trama,
faria delirar minha cama,
criaria teias infinitas em meu mar,
libertaria a selva toda daquele olhar

Cairia sobre o ar um jeito de primavera,
para brindar a flor que em mim crescera,
jardim de sonhos como criança faceira.

O sentimento não seria traduzido,
a linguagem não restaria realizada,
Ah se tu fosse apaixonada por mim!

Esse poema não nasceria,
o sangue dele não brotaria,
a imensidão teria fim.

O amor precisa de um não,
enfim...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete - inverno


sexta-feira, 4 de maio de 2012

Nem sempre


Nem sempre

É pena não estar ali,
cobri de querer o jardim
e deixei o cheiro para ti,
uma mão estendida assim.

De um lado havia pássaros,
em volta do banco, jasmim,
enquanto esperava, flauta,
doce verniz em tarde e cantos,

Simples feito de  esperança,
olhar de criança enquanto dança,

cada minuto era presença,
mas choveu,

depois dos pingos,
não mais eu,

rastros do jardim,
restos de mim,

Aceno de mãos esguio,
beijos desditos,
corpos perdidos
desfez o mito

Pedi a morte,
só restava o jardim.

GB Nogueira – outono – Ponte Nova