La mer
Oh mar,
Ah mar,
como canto a ti sem saber quem és,
suspiro,
sem mesmo saber se és homem ou mulher,
de tantas traduções, te entrego a mais perfeita,
com peito aberto e sem gênero afeto,
puro mar,
pura mar,
puro amor,
incolor,
para amar,
maior que deus,
maior que mar,
puro de sentido, e de sonhar,
o-mar, lindo de viver,
a-mar, impossível sem você.
Bernardo G.B. Nogueira
Este blog tem como objetivo a publicação, criação e discussão d'lgumas ideias e sonhos...ideias poéticas, filosóficas, romanescas, musicais, teatrais, cinematográficas, artísticas...e de vez em quando, jurídicas...
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sábado, 11 de fevereiro de 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Por um pouco de simples ser...
Por um pouco de simples ser...
e porquê não se deve perder,
ganhar,
da vida um só querer,
olhar,
Instante de amanhecer,
o mar,
pra chuva entardecer,
voltar,
De um dia tornar nascer,
tentar,
em noite de esclarecer,
sonhar,
De um tanto de te querer,
clamar,
p’ra uma vida ser só viver,
amar...
Bernardo G.B. Nogueira
Ponte Nova
e porquê não se deve perder,
ganhar,
da vida um só querer,
olhar,
Instante de amanhecer,
o mar,
pra chuva entardecer,
voltar,
De um dia tornar nascer,
tentar,
em noite de esclarecer,
sonhar,
De um tanto de te querer,
clamar,
p’ra uma vida ser só viver,
amar...
Bernardo G.B. Nogueira
Ponte Nova
domingo, 22 de janeiro de 2012
Trem...
Trem
Esperei,
até o último silvo do trem,
passaredos e pessoas e ninguém.
Pessoas,
passaram pelo meus olhos em desdem,
acenos felizes ao encontro de alguém.
Olhares sinceros e mentirosos também.
Sol que não aquecia meu porém.
Lágrimas,
até o último abraço esperei,
fui tragédia de um trilho, de trem.
As borboletas continuaram em silêncio,
e de novo ia embora, o trem.
Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete
Esperei,
até o último silvo do trem,
passaredos e pessoas e ninguém.
Pessoas,
passaram pelo meus olhos em desdem,
acenos felizes ao encontro de alguém.
Olhares sinceros e mentirosos também.
Sol que não aquecia meu porém.
Lágrimas,
até o último abraço esperei,
fui tragédia de um trilho, de trem.
As borboletas continuaram em silêncio,
e de novo ia embora, o trem.
Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete
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estação,
estrada,
ida,
parado.,
retorno.,
saudade,
sentimento,
tempo,
tragédia
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
En Tortoni
En Tortoni
Ah, belo Tortoni,
canto a ti, os melhores sabores,
canto a ti, seus fantasmas e dores,
canto a ti, fantasias, olhos encantadores.
Sinto aqui os mais antigos sentimentos,
encrostados no ar que emoldura movimentos,
sinto aqui toda a desfaçatez dos tempos,
em passado e presente, em futuro nos veremos.
Ah, velho Tortoni,
senhor das artes errantes,
maior que Buenos Aires, gigante.
Declaro aqui, entre vida pulsante,
poesia nascida, versos,
que fazem de mim seu amante.
Bernardo G.B. Nogueira
Café Tortoni - Buenos Aires
(poema a ser publicado na revista Buenos Aires Cultural - editada pelo Café)
Ah, belo Tortoni,
canto a ti, os melhores sabores,
canto a ti, seus fantasmas e dores,
canto a ti, fantasias, olhos encantadores.
Sinto aqui os mais antigos sentimentos,
encrostados no ar que emoldura movimentos,
sinto aqui toda a desfaçatez dos tempos,
em passado e presente, em futuro nos veremos.
Ah, velho Tortoni,
senhor das artes errantes,
maior que Buenos Aires, gigante.
Declaro aqui, entre vida pulsante,
poesia nascida, versos,
que fazem de mim seu amante.
Bernardo G.B. Nogueira
Café Tortoni - Buenos Aires
(poema a ser publicado na revista Buenos Aires Cultural - editada pelo Café)
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sentimento
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Ah, uma poesia em espanhol!
Ah, uma poesia em espanhol!
Queria muito ter escrito um poema na língua espanhola. É um jeito mais afetivo de encontrar-se com o outro, esse jeito apressado e carinhoso de dizer. Não estava em suas intenções escrevê-lo, mas uma mirada de olhos em meio à efusão de pessoas com sotaques variados acabou por criar uma vontade que não cabia em seu verbo maldito. Em sua boca fechada. Em seus olhos de procura.
Bastaria um dicionário e as coisas estariam resolvidas. O poeta estava agora entregue a um mar de leitores que se estendia para além da língua portuguesa que Camões cantou e Fernando Pessoa eternizou em suas criações. Contudo, ela não havia sido compartida em tantas bocas como o lastro do pensamento em língua dita por Garcia Marquez e poetada intensamente por Lope de Vega.
Por suposto, não há como medrar em intensidade se tal ou qual expressão alcança mais ou menos o coração. É certo apenas que a inquietude da língua espanhola, adocicada com um sem fim de afagos de timbres, acabara por despertar um sentimento ainda antes não presenciado. Como seria amar em língua espanhola? O poema que se queria escrito variava por entre a dúvida que empalidecera seu português bem escrito. Talvez a ideia da novidade, e, por conseguinte, da fugacidade do momento, pudessem explicar essa querência insistente. Mas, depois de averiguar o porão de seu espírito, acabara por encontrar um coração que pulsava agora em outra margem, outra língua.
Foi em dúvidas a bailar por entre sua tentativa que parecia corroer internamente como uma doença que mata sem avisar. Daí que outro sentimento aparecera, medo. Será que medo é sentido assim também em outra língua? Foram tantos os goles de uma bebida não portuguesa que as perguntas lhe apareciam como os raios do sol em um dia de verão, não no Rio de Janeiro, mas em solo de língua espanhola. Quantas questões, e o par de olhos já se havia ido embora. Sem um dizer, sem um querer. Apenas um afago sem sentido que tomou o leme de toda a sentimentalidade.
E se as rimas não conversarem? E se rimar em português for mais fácil porque a língua é mais presa? Mas seria Drummond um cara simples? Se fosse assim, como Florbela saira de Matozinhos para ganhar o mundo? Será que é por isso que não temos muitos filósofos em língua portuguesa? O alemão também é preso, aliás, ele não se solta em nenhuma ocasião! É, os amantes não são bons alemães, ou melhor, era para dizer o contrário, mas parece que está claro.
Clareza, essa palavra tão bendita em detrimento daquilo que é oculto. Como um irmão mais bem sucedido em face do outro intelectual e pobre. No entanto, com que autoridade essa clareza do português, que me explica tão claramente as coisas pode-se sobrepor à minha ignorância em face do espanhol? Já é outra questão que o próximo gole não me irá explicar, penso.
Daí que a vontade de escrever o poema em língua espanhola se via esvaindo à medida que me encontro com minhas tão queridas palavras em língua portuguesa. Saudade. Tomara que não seja aquele respeito que nossa história nos impõe normalmente o que está por trás desta trama que me deixa à vontade com a língua materna. Espero que não seja por lembrar dos nacionalistas enfadonhos que querem nos roubar a possibilidade de repensá-los e criar algo que os supere, mesmo que em língua portuguesa. E o português, não é belo? Sim, é belíssimo, sobretudo quando se dispõe dos mecanismos que des-aprendemos na escola. Como é bom se comunicar com um silêncio em português!
Acho que minha escrita em português está fincando longa. Depois dizem que as pessoas que escrevem nesta língua são prolixas. Aliás, que palavras feia essa tal de prolixa. A intenção era escrever um poema em língua espanhola, para armar – amar - com toda a pureza o sentimento que aquele par de olhos tornou. Mas de que serve a língua espanhola ou portuguesa? - se o amor não compor sem rimas a incerteza que o faz um deus?
O poema em espanhol não haverá! Não há conhecimento para tanto. Contudo, mesmo “depois que a festa acabou”, e que a língua espanhola não foi alcançada, farei fogueira do dicionário para cantar sob a luz de suas labaredas todos os amores que senti, sejam eles em língua portuguesa, sejam eles em silêncio de ignorância espanhola.
Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires
Queria muito ter escrito um poema na língua espanhola. É um jeito mais afetivo de encontrar-se com o outro, esse jeito apressado e carinhoso de dizer. Não estava em suas intenções escrevê-lo, mas uma mirada de olhos em meio à efusão de pessoas com sotaques variados acabou por criar uma vontade que não cabia em seu verbo maldito. Em sua boca fechada. Em seus olhos de procura.
Bastaria um dicionário e as coisas estariam resolvidas. O poeta estava agora entregue a um mar de leitores que se estendia para além da língua portuguesa que Camões cantou e Fernando Pessoa eternizou em suas criações. Contudo, ela não havia sido compartida em tantas bocas como o lastro do pensamento em língua dita por Garcia Marquez e poetada intensamente por Lope de Vega.
Por suposto, não há como medrar em intensidade se tal ou qual expressão alcança mais ou menos o coração. É certo apenas que a inquietude da língua espanhola, adocicada com um sem fim de afagos de timbres, acabara por despertar um sentimento ainda antes não presenciado. Como seria amar em língua espanhola? O poema que se queria escrito variava por entre a dúvida que empalidecera seu português bem escrito. Talvez a ideia da novidade, e, por conseguinte, da fugacidade do momento, pudessem explicar essa querência insistente. Mas, depois de averiguar o porão de seu espírito, acabara por encontrar um coração que pulsava agora em outra margem, outra língua.
Foi em dúvidas a bailar por entre sua tentativa que parecia corroer internamente como uma doença que mata sem avisar. Daí que outro sentimento aparecera, medo. Será que medo é sentido assim também em outra língua? Foram tantos os goles de uma bebida não portuguesa que as perguntas lhe apareciam como os raios do sol em um dia de verão, não no Rio de Janeiro, mas em solo de língua espanhola. Quantas questões, e o par de olhos já se havia ido embora. Sem um dizer, sem um querer. Apenas um afago sem sentido que tomou o leme de toda a sentimentalidade.
E se as rimas não conversarem? E se rimar em português for mais fácil porque a língua é mais presa? Mas seria Drummond um cara simples? Se fosse assim, como Florbela saira de Matozinhos para ganhar o mundo? Será que é por isso que não temos muitos filósofos em língua portuguesa? O alemão também é preso, aliás, ele não se solta em nenhuma ocasião! É, os amantes não são bons alemães, ou melhor, era para dizer o contrário, mas parece que está claro.
Clareza, essa palavra tão bendita em detrimento daquilo que é oculto. Como um irmão mais bem sucedido em face do outro intelectual e pobre. No entanto, com que autoridade essa clareza do português, que me explica tão claramente as coisas pode-se sobrepor à minha ignorância em face do espanhol? Já é outra questão que o próximo gole não me irá explicar, penso.
Daí que a vontade de escrever o poema em língua espanhola se via esvaindo à medida que me encontro com minhas tão queridas palavras em língua portuguesa. Saudade. Tomara que não seja aquele respeito que nossa história nos impõe normalmente o que está por trás desta trama que me deixa à vontade com a língua materna. Espero que não seja por lembrar dos nacionalistas enfadonhos que querem nos roubar a possibilidade de repensá-los e criar algo que os supere, mesmo que em língua portuguesa. E o português, não é belo? Sim, é belíssimo, sobretudo quando se dispõe dos mecanismos que des-aprendemos na escola. Como é bom se comunicar com um silêncio em português!
Acho que minha escrita em português está fincando longa. Depois dizem que as pessoas que escrevem nesta língua são prolixas. Aliás, que palavras feia essa tal de prolixa. A intenção era escrever um poema em língua espanhola, para armar – amar - com toda a pureza o sentimento que aquele par de olhos tornou. Mas de que serve a língua espanhola ou portuguesa? - se o amor não compor sem rimas a incerteza que o faz um deus?
O poema em espanhol não haverá! Não há conhecimento para tanto. Contudo, mesmo “depois que a festa acabou”, e que a língua espanhola não foi alcançada, farei fogueira do dicionário para cantar sob a luz de suas labaredas todos os amores que senti, sejam eles em língua portuguesa, sejam eles em silêncio de ignorância espanhola.
Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires
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sentimento
terça-feira, 8 de novembro de 2011
O Palhaço...
Nossa! Isso aqui a esta hora sempre está vazio!
A exclamação daquela mulher, em uma manhã acinzentada que contrastava com o espírito de Gaia, a trouxera de volta para sentidos reais envoltos a um cheiro de fumaça de carro misturada com um ar parado da mesma manhã que não tinha cara de primavera - Gaia foi um apelido dado por um tio que sabia-se metido a filósofo e que gostava de alcunhar as pessoas com os elementos do globo.
Essa mesma exclamação criaria espaço para que um sem fim de lugares se apresentassem aos olhos dessa mulher que tinha pela frente apenas uma manhã, as próximas horas não estavam sob as suas previsões. O clima e os cheiros da manhã seriam os únicos guias para Gaia.
Seguiu um caminho não traçado. Seus passos foram se desenhando e a ela caberia apenas ir, não havia como alterar a rota de uma traçado desconhecido. A manhã ainda permitia os óculos escuros. Quase um escudo. Antes de sair do carro, ainda havia olhado pelo vidro a tentar desafortunadamente alcançar o tom da mulher dona da exclamação avivadora. No entanto, a moça nem sequer titubeou, altiva, entrou no carro e se perdeu por entre os vidros negros. Restou a Gaia, apenas o timbre dos olhos cor de amêndoa e vivos como os de um recém-nascido.
Mais um passo, e agora já estava dentro do shopping. O cenário deste local é menos aterrorizante nos dias "de semana" pela manhã.
Lembrou-se de tirar os óculos alguns minutos depois das indagações que recebia entre os olhares dos demais transeuntes. Riu de si mesma. Lembrou do tio que sabia-se filósofo e riu das pessoas ao seu redor.
Como não havia programado sua ida, fez coisas que habitualmente faria. Comeu um sanduíche que nas propagandas se apresentava um tanto mais apetitoso. Tomou também um copo inteiro de Coca-Cola. Levantou-se da sempre tumultuada praça de alimentação e lançou-se ao encontro das pessoas. Tinha lá uma tese de que dentro dos shoppings e dentro da alienação capitalista as pessoas viviam como sonâmbulos, não sabiam que estavam ali, e entorpecidas precisavam de um espetáculo qualquer para retomarem a "consciência". Precisavam comprar.
Percebeu que ainda estava absorta pela exclamação da enigmática mulher de olhos amendoados que encontrou na entrada do shopping. Não era o sanduíche que estava sem gosto. A realidade em que se havia dado é que não permitia sentir seu gosto. Talvez um filme soubesse bem àquele momento. Sim, seria.
Caminhou lentamente até a bilheteria, sacou o cartão, pagou e se entregou. O momento em que a atendente falava sobre as opções de filmes foi saltado por Gaia, apenas disse que seria o filme da próxima sessão. Só depois percebeu qual seria o filme a ser exibido: "Palhaço". O nome com toda carga mágica que carrega consigo trouxe em Gaia uma explosão de sentimentos nostálgicos de sua infância. A canção que apresentava o filme fez com que seus olhos fechassem e sua alma levitasse até uma infância que não viveu. De soslaio conseguiu perceber que o diretor já era conhecido por ela, daí, inocente se deu ao filme.
De dentro da sala de cinema não havia tanto o que dizer, uma arte sendo encenada dentro de outra arte foi uma sensação que Gaia apenas havia experimentado enquanto ouvia as teorias de seu tio metido a filósofo e artista. Sensações daquelas em que o espírito parece querer pular para fora do corpo em pura magia. Palavras não seriam o bastante para essa expressão.
Assim, como acontecera num romance de Garcia Marquéz, em que, o local, de tão inóspito, não trazia ainda conceitos para explicar as coisas, carecia, portanto, que as pessoas apontassem o dedo para indicar as coisas - ações típicas de criança. Foram assim os momentos dentro da sala de cinema que há muito já se havia transformado em uma imensa lona de circo.
A criança que saltitava dentro do coração de Gaia tinha sonhos tão distantes que por vezes seus olhos marejavam - ora de cansaço pela viagem que nunca chegava, ora de saudade de uma infância distante que ela não havia presenciado, pura emoção. Mais uma vez uma sensação infantil. Toda esta sentimentalidade foi para Gaia também uma surpresa, como aquelas que temos quando ganhamos uma bicicleta no Natal.
Resolveu, lá pelas tantas, também "ser de circo". Mas não foi um gesto de escolha tão somente. Havia um amor e uma incerteza a flamejar em seus olhos de mulher que agora era criança. Essa incerteza tinha o gosto salgado das lágrimas que tomavam seu rosto diante do circo.
Quando foi "de circo", riu do palhaço e sonhou ao ver o malabarista. Amou o poeta e se entristeceu a cada baixar de lonas. Cerrou os olhos e depois já era outra paragem, outra cidade, risos outros, olhares e lágrimas também. Viu o palhaço triste a se perguntar quem o faria sorrir. Viu amores nascendo sob a lona criadora de sonhos. O circo era pura magia.
Ao sair da sala de circo, resolveu perguntar à mulher de olhos de amêndoa qual o sentido e o problema de estar ali sempre vazio em manhãs escuras de um dia de semana. Gaia, por certo, não iria encontrar mais essa moça. Ela já estaria entretida no espetáculo do mundo.
Da porta do shopping, agora via pingos de chuva, não poderia mais colocar os óculos escuros. Mas, não havia mais essa preocupação, nem com os óculos e nem com a mulher do carro com vidros negros. O circo tinha que continuar. Agora, Gaia tinha uma amiga, Aurora. Tinha esse nome, pois foi ela quem trouxe o novo, a que foi criança todos os dias, a que permitiu Gaia preencher a manhã, vazia. Aquela que iniciou seu dia. Aquela inocente que acredita em palhaço!
Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito - de manhã.
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Selton Mello,
sentimento
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Já que as estações mudam com o tempo...
estrofes de tempo...
Andei a estar acerca do tempo,
me prostrei ante suas letras,
e daí em diante, em perdimento nestas palavras,
construção de redondilhas, minutos de saudade.
Uma face alva sorria p’ra mim,
sorria, e ao se despedir, me tocava leve como um sopro,
dentro deste sonho, margens sem tempo,
leves arfar de bocas e sentimentos, nenhum momento.
Em paz, havia uma caminhada,
de mãos dadas, olhares, esquivos e uma estrada,
um encanto de flores, cheiros e uma namorada.
Os versos se criavam, letras, palavras,
cantigas doces, rimas enamoradas,
estrofes de tempo, tempo de amor, sem tempo, mais nada.
Bernardo G.B. Nogueira
Na primavera, sem sol...
Itabirito – 2011.
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