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sexta-feira, 27 de julho de 2012

(...


(...

Quantas vezes já se descuidou da rima?
Por quantos minutos se esqueceu da mira?
Em quais momentos se despediu da crença?
Qual foi o dia em que permitiu a dança?
Qual estrela foi sua criança?
Em qual esquina se perdeu?
Por quantas ruas não viu as placas?
Em qual guitarra mudou a nota?
Por quantos céus esqueceu a terra?
De quantas formas encenou o falso?
Qual a cor que criou uma nova?
De qual harmonia destoou?
Qual pintura já borrou?
Qual namoro inventou?
Quantos castelos derrubou?
Quantas verdades enfrentou?
Em qual segundo se apaixonou?
Qual olhar enfeitiçou?
Qual a frequência que inventou?
Quantos precipícios se lançou?
Sob qual carícia se entregou?
Sob qual arrepio se prostrou?
Por quanto mar se lançou?
Quantas garrafas entornou?
Quanto gozo arrancou?
Qual delírio salvou?
Qual vida?
Que morte?
Qual estrada?
Qual amor?

Epitáfio)

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete - inverno.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Dançar, olhar, amar...amar, dançar, olhar...

Dançar, olhar, amar...amar, dançar, olhar...

Me tomam, não me devolvem,
em tantas visitas me envolvem,
soltam sobre mim, me interrompem,
abraçam meus passos,
embaraçam.
Criam meus versos, não disfarçam,
tiram minhas vestes,
invadem.
Sorrateiros em minhas fretas,
desabam dentro do meu abismo.
Infinitos como o sonho que não vem,
insistiram em deixar um torpor,
esquecidos como crianças,
quentes feito vingança
sutis qual lágrima de esperança.
Acordes a embalar minha crença,
céu intenso,
flor nascida.
Seu olhar,
vida inscrita,
nossa dança. 

Bernardo G.B. Nogueira
inverno - Conselheiro Lafaiete

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Por um pouco de simples ser...

Por um pouco de simples ser...

e porquê não se deve perder,
ganhar,
da vida um só querer,
olhar,

Instante de amanhecer,
o mar,
pra chuva entardecer,
voltar,

De um dia tornar nascer,
tentar,
em noite de esclarecer,
sonhar,

De um tanto de te querer,
clamar,
p’ra uma vida ser só viver,
amar...

Bernardo G.B. Nogueira
Ponte Nova

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

estados

estados

Estar livre como selvagem cavalo,
em pastos sem cercas cavalares,
estar entretido em sentimento infinito,
em alma imensa embebedar.

P’ra um vinho antigo se entregar,
tragos doces com som universal,
em mares distantes velejar,
e a frios cortantes, pleno se deitar.

Sob lua inflamada contemplar,
em uivo à matilha se juntar,
feito corredeiras que descem sem cessar.

Em peito quente acalentar,
um lábio dormente, eternamente a amar,
isto é o viver, quem morreu, saberá.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires