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domingo, 5 de agosto de 2012

Eu sei que você dorme


Eu sei que você dorme

Eu sei que você dorme,
sem saber de mim,
do meu delírio sem fim,
da minha dose infame,
do meu calor que ferve,
da minha dor que te serve.

Como sal que alimenta,
como chegada que acalenta.

Sei que você dorme,
tranquila como orquestra,
sem sons que te despertem,
como a lua que aquece.

Depois desse sono,
há o mundo que te recebe.

O meu som ecoa,
ninguém percebe.

Minha morte,
leve e cálida,
te concebe.

Depois da vida,
o amor que antecede.
Depois da morte,
renasce a festa,
de toda a sua beleza que me encerra,
qual câncer, me infesta,
qual seca,
torna agreste minha vista
e só a sua visão se manifesta...

Bernardo G.B. Nogueira
Inverno – Ponte Nova

sábado, 31 de março de 2012

À espera do canto...


À espera do canto...

quase como uma gota de lágrima que ainda não choveu,
quase como um toque de lábios que se rompeu,
quase como um abrigo que o vento levou,
quase como um seu afago que não é meu,

qual a distância do rio que me torna mar,
qual a proximidade do rosto a se virar,
qual a faticidade do tempo a nos moldar,
qual a face da vida que a outra é morte.

a ti irei olhar,

como o filho que dá braços ao pai,
como a vela do barco que se dá ao vento,
como a palavra que se dá ao sentimento,
como a folha que se dá ao anseio do poeta.

feito um silvestre a caçar sua vida,
feito o artista a se perder no palco,
feito a criança que sente medo da noite,
feito o adulto que sente medo do amor.

estarei à espera de seu canto...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete