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domingo, 16 de dezembro de 2012

eu sou é ela...

eu sou é ela...

se te quero, vais embora,
se te chamo, bates a porta,
ao clamar, faz-te surda,
se suplicar, dá-me a nuca,
se cantar, desvia os olhos,
se me solto, condena-me,
acaso recue, chama-me fraco,
se silêncio, és multidão,
se carnaval, livro e natureza,
bloco na rua, te revestes em solidão,
levo-te choro, pedes sorriso,
levo-te ao mar, queres a noite,
se flutuo em versos, agride com realidade crua,
se desnudo, decola sem fantasia,
acaso fuja, dá-se por desentendida,
ofereço vinho, queres sanidade,
quieto me torno, insiste em loucuras lascivas,
se a noite lhe apanho com as mãos, escorregas com sono,
se o coração arranco do peito, chama-me insano,
“ah! Bruta flor do querer
ah! Bruta flor, bruta flor”


 
Bernardo G.B. Nogueira
BH - 2012

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Um dia na cidade

Um dia na cidade

Tantos ponteiros,
tantos esteios,
tantas gentes,
tanta espera,
tantas cores,
tanta quimera,
tantas estradas,

tantas caras,
tantas cartas,
falsas,
flácidas,
fábulas.

Tantas côrtes,
tanto esquecimento,
tanta razão,
tanto dito,
tanto maldito,
tantos benditos,
tantos vadios,
tantos terrenos.

São tantos, tudo e você.
Você!
Você!
Você que não é esse ninguém.
Tanto você,
tão você,
que sou eu.
Eu que não sou.
Você que é tanto...

Bernardo G.B. Nogueira
BH – primavera, enfim.

sábado, 31 de março de 2012

À espera do canto...


À espera do canto...

quase como uma gota de lágrima que ainda não choveu,
quase como um toque de lábios que se rompeu,
quase como um abrigo que o vento levou,
quase como um seu afago que não é meu,

qual a distância do rio que me torna mar,
qual a proximidade do rosto a se virar,
qual a faticidade do tempo a nos moldar,
qual a face da vida que a outra é morte.

a ti irei olhar,

como o filho que dá braços ao pai,
como a vela do barco que se dá ao vento,
como a palavra que se dá ao sentimento,
como a folha que se dá ao anseio do poeta.

feito um silvestre a caçar sua vida,
feito o artista a se perder no palco,
feito a criança que sente medo da noite,
feito o adulto que sente medo do amor.

estarei à espera de seu canto...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete