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sábado, 31 de março de 2012

À espera do canto...


À espera do canto...

quase como uma gota de lágrima que ainda não choveu,
quase como um toque de lábios que se rompeu,
quase como um abrigo que o vento levou,
quase como um seu afago que não é meu,

qual a distância do rio que me torna mar,
qual a proximidade do rosto a se virar,
qual a faticidade do tempo a nos moldar,
qual a face da vida que a outra é morte.

a ti irei olhar,

como o filho que dá braços ao pai,
como a vela do barco que se dá ao vento,
como a palavra que se dá ao sentimento,
como a folha que se dá ao anseio do poeta.

feito um silvestre a caçar sua vida,
feito o artista a se perder no palco,
feito a criança que sente medo da noite,
feito o adulto que sente medo do amor.

estarei à espera de seu canto...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre o mar

Sobre o mar

Sobre o mar entoei um canto que jamais será ouvido,
espraiou-se em partículas que impossibilitam ouvir,
é tão distante o mar que uma mirada por ele me impede de partir,
há entre nós dois, tamanha distância, que nem ousaria dar um grito.

Oh!, mas quão desafortunado é meu coração,
em um estampido silencioso quis ser canção,
largou de dentro dos meus olhos e nem sequer olhou p'ra trás,
levitou intenso sobre o mar, como se em pele alva acarinhasse o amor.

Senti-me tão abandonado neste momento, o tempo tornou-se companheiro,
tomou minhas mãos e entre ontem, amanhã e hoje, sorriu p'ro meu rosto teso,
fez troça de minha tristeza e tornou maior ainda a solidão.

Sobre o mar, descobri mil encantos,
o de um tempo que não existe e o de um coração que baila entre o fado,
o de um mar, que de tão profundo, é porto seguro para chorar meu pranto.

Bernardo G.B. Nogueira
Montevideo