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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E todas as estações passaram,

E todas as estações passaram,

noite e dia,
morte e vida,
verdade e alucinação,

lucidez divina e maldição,
canção de lira e surdez ao chão,

estrada perdida,
sem encontros ou perdão,

tristeza plena e felicidade ao meio,
luz e escuridão,

paz de dentro contra um furacão,
de fora o vento, e no peito aflição,

uma voz serena e olhar de criação,
abraço terno e fraqueza sem medidas, sem palavras,

de um acorde branco, se fez estampido,
nos ouvidos sensíveis harpas em sifonia,

céu intenso, com inferno próximo,
perdição do corpo e calidez no sonho,

interior profundo, riso defunto,
levanta-se na noite, e se parte em cacos desnudos.

Inverno, verão,
Outono e canção.

Só a primavera que imaginamos não passou,
floresceu.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

Sobre o mar

Sobre o mar

Sobre o mar entoei um canto que jamais será ouvido,
espraiou-se em partículas que impossibilitam ouvir,
é tão distante o mar que uma mirada por ele me impede de partir,
há entre nós dois, tamanha distância, que nem ousaria dar um grito.

Oh!, mas quão desafortunado é meu coração,
em um estampido silencioso quis ser canção,
largou de dentro dos meus olhos e nem sequer olhou p'ra trás,
levitou intenso sobre o mar, como se em pele alva acarinhasse o amor.

Senti-me tão abandonado neste momento, o tempo tornou-se companheiro,
tomou minhas mãos e entre ontem, amanhã e hoje, sorriu p'ro meu rosto teso,
fez troça de minha tristeza e tornou maior ainda a solidão.

Sobre o mar, descobri mil encantos,
o de um tempo que não existe e o de um coração que baila entre o fado,
o de um mar, que de tão profundo, é porto seguro para chorar meu pranto.

Bernardo G.B. Nogueira
Montevideo