Mostrando postagens com marcador outono. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador outono. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de junho de 2013

duvidação



duvidação

sabe-se lá se cada manhã deveria mesmo ser cantada,
nela se foi mais uma noite.
achamo-nos enganados em louvar a vida?
seria mais entendido louvar a morte?
dela temos toda a incerteza,
enquanto isso vivemos a correr,
dela e p’ra ela,
sem nos darmos conta,
caminhamos à mercê da vida,
mãos dadas com a morte,
uns com mais fervor,
outros mais distraídos,
aqueles contando horas,
esses últimos, prosas,
vendo os rios,
ah! essa manhã de outono me acabrunha,
sei se a dela me enamoro e faço cria?
sei se dela me desdenho e faço rima?
de todas as curvas,
a madrugada fez-se boa,
pois que de duvidar é que a gente voa,
e sem saber se dia ou noite,
se tarde ou aurora,
vacilo pelas tardes daquela estação que nem ri e nem chora,
todo outono a gente nasce,
e todo outono a gente morre,
as velas?
...podem acender pra quem nunca morreu.

B.

terça-feira, 21 de maio de 2013

viandante



viandante

mais poesia
menos profissão
mais outono
menos verão
mais saudadee
menos solidão
mais menino
menos exatidão
mais olhar sentido
menos explicação
mais beijo na chuva
menos horas sem canção
palavras em vão...

B.
outono.

domingo, 12 de maio de 2013

entre



entre

pra viver tem que saber bem o morrer,
é no outono que a primavera se inspira,
contempla a morte de si enquanto prepara a vida,
a folha que cai é a primavera esperada,
os galhos solitários dedilham o som que vem,
da flor que nasce quando morre a sombra,
bem ali entre o que foi e  ficou dito,
na ausência da fala, silêncio,
ao fim do silêncio, gemido,
pela fotografia que fere de morte o tempo,
faz nascer a lembrança,
pra cada morrer há uma vida,
e de tanta vida,
a morte talvez seja a saída,
pro amor de ontem deixar seu rastro e partir...

B.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Estaçõezinhas...



Estaçõezinhas...

E é assim, lhe convido pois é já o sol,
depois de um outono sem folhas,
com sorriso cor de nuvem,
pra fazer nascer a primavera,
que é irmã sua,
pelo cheiro e pela face,
com cores sem fim,
depois me dá um abraço,
vai embora e canta como o vento leve,
dedica seus passos a me deixar saudade,
cada vez que seu olhar foi embora o verão cerrou-se em chuva,
o céu cinzento chorou,
volte, volte flor minha!          
Posto que és toda estação em que desço e em que vives, flor!

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – primavera – 2012.                                        

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Saber amar

Saber amar

Eu sei que estas a me amar,
de longe pelas agrestes montanhas,
como loba a me espreitar,
com uivo pleno ao luar.

Sei que me vê a cada manhã,
espera minha aurora,
serve-se como maçã,
de minha boca quente.

Em tempo de noites frias,
toma meu corpo,
fazes meu desenho com afã.

De um cego que crava na noite,
olhar esguio a claudicar,
preciso feito outono,

                                               pra dentro do meu peito regressar,
                                               sorrateira naquela sombra.
Eu sabia,
me estava a amar.

Bernardo G.B. Nogueira
Inverno – Conselheiro Lafaiete

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Fantasia

Fantasia

Não adiantou os desvios dos olhares,
das mãos estreitas e dos afares,
deslizes entre humanidades,
amores crentes nos sabores inventados, qual face pintada por artífices do palco.

Tragédia encenada pela máscara que não restou,
partiu em cacos que se perderam na chuva que passou,
ao fim do arco-íris a curva que não se encontra
com o ritmo e descompasso da retina sua que me dera intesidade e verdade.

Antes que houvesse seus olhares,
não haviam mais meus traços fantasiosos,
que foram eu e que é nós dois.

Outono - Itabirito
GB Nogueira

quinta-feira, 3 de maio de 2012

aurora


aurora

pura e crença,
iminência,
dos olhos de ti,
das frestas de mim,

para um vale sem fim,
se esvai em tom,
ausência da voz,
fragrância em pétalas,
e vento que distrai a noite,

vivência
de ninfas intensas,
em balé de cor,
de sempre dizer da flor,

acalenta a seu jeito,
rebenta,

por romper o som,
silência,

toda cor, todo o bom,
inventa.

GB Nogueira
Belo Horizonte – outono, 2012.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Todas as coisas são suas


Todas as coisas são suas

Todo seu ia e o seu não ia,
toda a sua paz,
toda sua melodia,

todos os seus versos,
sua não poesia,
toda sua melancolia,

todos os seus amores,
suas fantasias,

seus eus,
seus minhas,
sua idiossincrasia,

seu olhar perdido,
sua tez tardia,

seu avanço desmedido,
seu silêncio bandido,

sua cor invadida,
sua pele traduzida,

suas palavras invertidas,
todas benditas,

toda a sua memória,
toda a sua desordem,

toda sua,
toda e de todo o mundo.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – outono.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

E todas as estações passaram,

E todas as estações passaram,

noite e dia,
morte e vida,
verdade e alucinação,

lucidez divina e maldição,
canção de lira e surdez ao chão,

estrada perdida,
sem encontros ou perdão,

tristeza plena e felicidade ao meio,
luz e escuridão,

paz de dentro contra um furacão,
de fora o vento, e no peito aflição,

uma voz serena e olhar de criação,
abraço terno e fraqueza sem medidas, sem palavras,

de um acorde branco, se fez estampido,
nos ouvidos sensíveis harpas em sifonia,

céu intenso, com inferno próximo,
perdição do corpo e calidez no sonho,

interior profundo, riso defunto,
levanta-se na noite, e se parte em cacos desnudos.

Inverno, verão,
Outono e canção.

Só a primavera que imaginamos não passou,
floresceu.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito