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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Amor, revolução

Amor, revolução
 
Demais é rabiscar livros com heresias sentimentais,
derrubar estados e construir arco-íris,
transpor  imagens, só ver miragens,
carregar no peito nada além do que sentiu,
trazer uma mala cheia de estórias,
inventá-las sempre que puder,
deixar escorrer pela pele toda a efusão,
do encontro tornar vida e morte,
na estação mirar o próximo porto,
descansar com os ouvidos ao som inaudito,
ferver no gelo do corpo devastado,
inverter a direção do mapa, só pra ver onde não vai dar,
de mãos dadas seguir com o algoz,
zombar dos deuses, adorar o humano,
com flauta doce, receber o inimigo,
desconfiar da razão, entregar-se cândido ao abismo da emoção,  
que o que vem seja anunciação, e o que vai, saudade,
a ausência, criação,
olhares novos, perfeição,
ao invés do verbo, poeisa e canção,
pois sentimento, se é sentimento mesmo, tem que ter heresia, senão é convenção...
 
Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – primavera - 2012

quinta-feira, 5 de julho de 2012

ando

ando

de costas para a vida,
vê-la não me convém,
detém meu peito a partida,
dela quero o mel,
não quero a medida
do inferno  e das coisas benditas
indiscutidas,
verdadeiras feito o sol da madrugada,
qual amor em tempo de fachadas,
qual frio em dia ensolarado.

Quero o céu e a esquina, que cria
em cada olhar e em toda trilha,
como fruto de fantasias,
real, esculpida na face do não,
contra a classe e a multidão,
esquivo do tempo e da maldição,
de olhar pra trás...

olhar pra trás!
ollhar pra trás!

Bernardo G.B. Nogueira
BH - inverno

quinta-feira, 3 de maio de 2012

aurora


aurora

pura e crença,
iminência,
dos olhos de ti,
das frestas de mim,

para um vale sem fim,
se esvai em tom,
ausência da voz,
fragrância em pétalas,
e vento que distrai a noite,

vivência
de ninfas intensas,
em balé de cor,
de sempre dizer da flor,

acalenta a seu jeito,
rebenta,

por romper o som,
silência,

toda cor, todo o bom,
inventa.

GB Nogueira
Belo Horizonte – outono, 2012.