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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

o artista

de tudo o amor rebenta,
filho livre
do ventre divino,
filho pagão,
acaso rebenta,
a face e o corpo flagela,
em alma impura congela,
faz os olhos inundar,
qual destino
de trágico heroi,
rebenta,
rebento,
é deus sem gênero,
fantasia e inferno,
o instante eterno que te pariu.

B.
BH - verão - 2013

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

revolução 2


revolução 2

escute em primeiro, o órgão,
decante a guitarra em sua voz inaudita,
alcance a nota, transcenda,
com amor ou um gole a mais,
levante pela madrugada,
voe pela manhã noturna,
cambaleie nas nuvens,
entorpeça os sentidos contra todos,
grite feito águia que espreita,
cem cessar, cante sem melodia,
faça romper o oceano,
inunde a terra,
faça da lua amante,
beba o fel,
ame com os pecados capitais,
dos deuses, troce,
desate o nó,
navegue,
o mar? Invente,
abandone a rota,
componha um verso sem rima,
saboreie o cheiro da impureza,
seja arte,
morra pra viver,
não veja o espelho...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Amor, revolução

Amor, revolução
 
Demais é rabiscar livros com heresias sentimentais,
derrubar estados e construir arco-íris,
transpor  imagens, só ver miragens,
carregar no peito nada além do que sentiu,
trazer uma mala cheia de estórias,
inventá-las sempre que puder,
deixar escorrer pela pele toda a efusão,
do encontro tornar vida e morte,
na estação mirar o próximo porto,
descansar com os ouvidos ao som inaudito,
ferver no gelo do corpo devastado,
inverter a direção do mapa, só pra ver onde não vai dar,
de mãos dadas seguir com o algoz,
zombar dos deuses, adorar o humano,
com flauta doce, receber o inimigo,
desconfiar da razão, entregar-se cândido ao abismo da emoção,  
que o que vem seja anunciação, e o que vai, saudade,
a ausência, criação,
olhares novos, perfeição,
ao invés do verbo, poeisa e canção,
pois sentimento, se é sentimento mesmo, tem que ter heresia, senão é convenção...
 
Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – primavera - 2012

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Vinhos em taça de deuses

Vinhos em taça de deuses

Beber vinho em forma de oração,
sorver o gozo como diz uma canção,
deitar o verbo em cantiga de ninar,
pousar a mão como quem brinca n’um tear.

Soprar o beijo em métrica de paixão,
unir o corpo para depois ser entonação,
desditar do tempo e esquecer o silêncio,
suspiros imensos em tom de incêndio.

Quisera a lua cantar esse bailar,
de uma noite sem fim para o mundo encenar,
palavras de um verso que não se quis esquecer.

Em um tanto de distância uma busca ditosa,
prazer em carne viva e uma vida que aflora,
deuses divinos que cantam entorpecidos enquanto namoram.

Bernardo G.B. Nogueira