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domingo, 5 de maio de 2013

caminho



caminho

há que procurar,
da manhã ao fim da tarde,
sem pausa ou descanso,
até o fim, traduza-se,
seduza,
encontre o escuro,
ao fim, toque o abismo,
ao início, se jogue,
e quando as mãos se perderem,
pela noite toque meu corpo,
há que procurar...

B.
outono.

quinta-feira, 21 de março de 2013

quarto de dormir



quarto de dormir

e de tanto amar...
mar,
abraçaria a noite e me deixaria iluminar por seus lábios,
conduzido até o seu segredo,
seu amor e seu gozo,
vento frio na proa,
no corpo calor,
encontro de mar revoltoso,
face despida,
corpos sem repouso,
só pra depois não saber se é noite ou seu cheiro,
e quando tem poema a noite é namorada,
e quando fecha a porta é lua que me arrebata...

B.

domingo, 21 de outubro de 2012

Você é o sol e o frio abraçados


Você é o sol e o frio abraçados

Dança comigo.
Baila entre as esquinas.
Perde a hora.
Esquece o destino.
Deixa a estrada.
O último tango é o que nasce.
Faz ferver nossa encruzilhada.
Daquele olhar guarde o novo.
Pelas pernas me encontre.
Em seu peito guarde encanto.
Contorne todo o mundo em minha boca.
Faça da esquiva meu porto.
Me deixe!
Me pegue!
Carregue meu corpo.
Encerre meu jogo.
Faça impossível sem esforço.
Em sua pele inscreva meu gozo.
Pelas mãos deixe cravada em minha carne.
O suspiro infinito daqueles acordes.
Não há sinfonia preparada.
Posto que é o sol e o frio abraçados...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – primavera.


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Adeus


Adeus

E agora o que vou fazer?
se há tanta distância entre seu inverno e meu outono,
métricas perdidas, passado no forno,
estrada inscrita em minha pele sem prazer.

Como vou ferver?
Se o toque da sua flor não encanta,
se a pétala de sua rosa decanta
e depois do gole que não faz derreter.

Se a face de sua boca me cala,
enquanto meu corpo reclama,
feito mar sem ressaca.

Enquanto trilha que não clama,
depois dum olhar que não sufoca,
resta a pele, que não é mais minha alma.

Bernardo G.B. Nogueira – inverno
Ponte Nova

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Conceber

conceber

Nasce em tom de chuva,
se são deslizes não sei,

tem apenas um gosto de primavera,
e um cheiro de um dia de espera.

Tem o arfar de-vagar do seu corpo,
e um líquido bom que bebi em teu enleio,
que desliza inerte dentro de mim,
e que sai pela mata e defunto ri-se sem fim,

é sempre assim quando chove,
há uma invasão do meu interior,
da sua pele escorre o mais puro cheiro,
e da sua face o olhar mais rico, mais faceiro.

Ah,
como são chuvas essas sensações,
como são enternas essas invasões,

de que modo se vive sem um choro?
sem canções,
sem chuvas,
criações.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Vinhos em taça de deuses

Vinhos em taça de deuses

Beber vinho em forma de oração,
sorver o gozo como diz uma canção,
deitar o verbo em cantiga de ninar,
pousar a mão como quem brinca n’um tear.

Soprar o beijo em métrica de paixão,
unir o corpo para depois ser entonação,
desditar do tempo e esquecer o silêncio,
suspiros imensos em tom de incêndio.

Quisera a lua cantar esse bailar,
de uma noite sem fim para o mundo encenar,
palavras de um verso que não se quis esquecer.

Em um tanto de distância uma busca ditosa,
prazer em carne viva e uma vida que aflora,
deuses divinos que cantam entorpecidos enquanto namoram.

Bernardo G.B. Nogueira

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Para longe daqui...

Para longe daqui

Meu lápis está apontado direto ao coração,
frases longas e formosas espreitam,
há dentre nuvens olhares sem direção,
partícipes de uma dança sob pares que encantam.

As mãos sempre esvoaçam dentro da noite,
feito pouso sem embaraço pela praça,
imenso é o céu por entre o açoite,
em candura de pele perdida e sem graça.

Há sulcos do vento por entre cinzas e fumaça,
e é pleno e taciturno o rio em minha face,
mas também é velha e sombria a outra margem.

Não me escuta a escrita e se disfarça,
em notas frágeis se vai embora,
teatro vivo que o meu corpo escorraça.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires