de tudo o amor rebenta,
filho livre
do ventre divino,
filho pagão,
acaso rebenta,
a face e o corpo flagela,
em alma impura congela,
faz os olhos inundar,
qual destino
de trágico heroi,
rebenta,
rebento,
é deus sem gênero,
fantasia e inferno,
o instante eterno que te pariu.
B.
BH - verão - 2013
Este blog tem como objetivo a publicação, criação e discussão d'lgumas ideias e sonhos...ideias poéticas, filosóficas, romanescas, musicais, teatrais, cinematográficas, artísticas...e de vez em quando, jurídicas...
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Poeminha, em dias que se iniciam de tarde...
Hoje de tarde,
não queria o dia tão azul,
nem precisava de uma noite com tantas estrelas.
Os pardais poderiam se dispor de sua sinfonia,
e as nuvens no céu, disformes se dariam.
não queria um som tão afinado,
a mim bastava tocar o chão molhado,
no recanto de minh’alma,
eu, e minha mágoa, be e mol, e mais nada.
os olhares deveriam ser desviados,
o rosto inerte já seria meu resguardo.
O vento frio que chega daquela fresta entre os prédios, seria ele meu regato,
choro de criança, choro soluçado.
poderia ser menos que ontem,
um amanhã de silêncio por entre um presente tão animado,
de resto, poderíamos decidir pelo abraço,
escolher um silêncio e um sorriso não forçado.
poderia ser sempre,
sempre amor e sempre paz,
sempre sorriso e sempre abraço,
sem céus e sem sons, sempre um olhar leve e encantado.
Bernardo G.B. Nogueira 11/09/2011 – Conselheiro Lafaiete
domingo, 31 de julho de 2011
LOPE DE VEGA
Rendo aqui minha tardia homenagem a Lope de Vega. Poeta que tive acesso a poucos dias e que, de pronto, encantou.
Fantástico!!!
"Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde, animoso,
no hallar, fuera del bien, centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso.
Huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;
creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño:
esto es amor. Quien lo probó lo sabe."
áspero, terno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, defunto, vivo,
leal, traidor, covarde e valoroso;
não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
enfadado, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, receoso;
furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno qual licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;
acreditar que o céu no inferno cabe,
doar sua vida e alma a um desengano,
isto é amor; quem o provou bem sabe."
"Um soneto me pede Violante,
nunca na vida estive em tal aperto;
quatorze versos dizem que é soneto:
brinca brincando lá vão três avante.
Não pensei que encontrasse consoante,
e na metade estou de outro quarteto;
mas, se me vem o início de um terceto,
cá nos quartetos nada há que me espante.
No primeiro terceto vou entrando,
e parece que entrei com o pé direito,
pois fim com este verso lhe vou dando.
Estou já no segundo, e ainda suspeito
que vou os treze versos acabando;
contai se são quatorze, e ei-lo: está feito."
Fantástico!!!
DESMAYARSE, ATREVERSE, ESTAR FURIOSO
"Desmayarse, atreverse, estar furioso,
áspero, tierno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, difunto, vivo,
leal, traidor, cobarde, animoso,
no hallar, fuera del bien, centro y reposo,
mostrarse alegre, triste, humilde, altivo,
enojado, valiente, fugitivo,
satisfecho, ofendido, receloso.
Huir el rostro al claro desengaño,
beber veneno por licor süave,
olvidar el provecho, amar el daño;
creer que un cielo en un infierno cabe,
dar la vida y el alma a un desengaño:
esto es amor. Quien lo probó lo sabe."
áspero, terno, liberal, esquivo,
alentado, mortal, defunto, vivo,
leal, traidor, covarde e valoroso;
não ver, fora do bem, centro e repouso,
mostrar-se alegre, triste, humilde, altivo,
enfadado, valente, fugitivo,
satisfeito, ofendido, receoso;
furtar o rosto ao claro desengano,
beber veneno qual licor suave,
esquecer o proveito, amar o dano;
acreditar que o céu no inferno cabe,
doar sua vida e alma a um desengano,
isto é amor; quem o provou bem sabe."
SONETO DE REPENTE
"Um soneto me pede Violante,
nunca na vida estive em tal aperto;
quatorze versos dizem que é soneto:
brinca brincando lá vão três avante.
Não pensei que encontrasse consoante,
e na metade estou de outro quarteto;
mas, se me vem o início de um terceto,
cá nos quartetos nada há que me espante.
No primeiro terceto vou entrando,
e parece que entrei com o pé direito,
pois fim com este verso lhe vou dando.
Estou já no segundo, e ainda suspeito
que vou os treze versos acabando;
contai se são quatorze, e ei-lo: está feito."
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