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sábado, 4 de agosto de 2012

Acordes, e eu, mais não...


Acordes, e eu, mais não...

Como esse violão diz tanto de mim,
logo eu que quis me esconder,
fugir dessa nota que captura toda crosta,
furta e me desespera quando foge.

Quanta ilusão sai nessas notas,
porque o tanto desta invenção?
Qual o mar dessa visão?
...Perdido em desatino cor do furacão.

Feito seus olhos que levaram,
não me devolveram não,
solto em tempestade e trovão.

Depois do cataclisma,
olho do dragão,
essa orquestra me sinfonia em clarão.

Fui preso em cordas como caixão,
delas me soltei como pássaro da prisão,
de sua boca que me cantou.

O último canto!
Precipício de uma nota só!

Bernardo G.B. Nogueira
Inverno – Ponte Nova

quinta-feira, 15 de março de 2012

tempos imaginários

tempos imaginários

Como foi bom ser dois,
não ser líquido nem sem cor,
incolor cor de nunca,
pé na estrada, som de chuva.

Em som inodor,
de frio quente e calor sem flor,
de mãos dadas,
soltas ao amor.

Não vou devolver aquela face,
resta perdida entre o dia em tom rapace,
levada pela noite que sopra em vagar.

Do último andar de sua caverna,
manda símbolos de explosão interna,
caindo pelas centelhas que antes eram dois,

Agora foi só um,
só!

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – 15/03/2012

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

a ti

a ti

Decerto seria bom falar baixinho,
no mesmo tom de seus olhos pequenos,
da mesma métrica que tem sua boca,
em sintonia com a altura de seus sonhos.

Querer devagar como que faz um bordado,
sem fim e com todos os nós atados,
na mesma cadência daquele sol que custa dormir,
com a força que a brisa pousa na flor.

Em tudo estar atento,
desde a cor de seu cheiro,
até o brilho de seus passos.

Ter neste instante um luar infinito,
e com olhos esquecidos perder da vida,
para em sua música me encantar, desmedida.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Poeminha, em dias que se iniciam de tarde...

Hoje de tarde,

não queria o dia tão azul,
nem precisava de uma noite com tantas estrelas.
Os pardais poderiam se dispor de sua sinfonia,
e as nuvens no céu, disformes se dariam.

não queria um som tão afinado,
a mim bastava tocar o chão molhado,
no recanto de minh’alma,
eu, e minha mágoa, be e mol, e mais nada.

os olhares deveriam ser desviados,
o rosto inerte já seria meu resguardo.
O vento frio que chega daquela fresta entre os prédios, seria ele meu regato,
choro de criança, choro soluçado.

poderia ser menos que ontem,
um amanhã de silêncio por entre um presente tão animado,
de resto, poderíamos decidir pelo abraço,
escolher um silêncio e um sorriso não forçado.

poderia ser sempre,
sempre amor e sempre paz,
sempre sorriso e sempre abraço,
sem céus e sem sons, sempre um olhar leve e encantado.

Bernardo G.B. Nogueira 11/09/2011 – Conselheiro Lafaiete