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sexta-feira, 26 de julho de 2013

noite branca



noite branca

dos dias sem cor,
resta o enlace da noite
com flor,
anterior
a todos os delírios,
conjuntos feito sinfonia
distorcida
pela cama
desarrumada de amor,
a escorrer cores de suor
pela estrada de suas sendas,
vendas retiradas
pra um sol que não brotou,
do ventre
apenas o frescor dos amores,
novos
contornos de cheiros com lua
branca a confundir seu riso,
largo
o braço sob a sombra,
cada vez que dormes
cantam as cores...

B.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

acabou ontem



acabou ontem

de manhãs há que vive
cândida,
livre e som,
de Tom e vagar,
convite de orquestra,
pra falar de rio e mato,
com sede de nota limpa,
água corrente pela harmonia,
e o timbre só alegria,
Ah...
lá se vai o “chorare”,
pro mar de banho
de manhã que é fim de ontem,
do cantar que foi amor de sempre...
de manhã.

B.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

canção sem tempo



canção sem tempo

vai-se deixando pelos minutos da estrada,
cada passo é um a menos,
outro mais a cantar,
de dó em ré,
dá-se uma valsa,
pra cantar em dias sem horas,
pra amar em passos namorados,
envoltos em um tempo só,
cantado em mi e fa,
esquecidos feito mar,
ditosos,
há tempos a profanar...

B.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

ladeira



ladeira

na ausência de seu jazz,
recorro às esquinas,
que mudam caminhos,
desfazem rotas,
rodamoinhos.
Dentro das páginas dos livros, letras,
de novo, letras,
letras com frases musicais,
que vejo na rua a se estender,
perante os olhares sisudos e mudos dos relógios,
que marcam os dias em que não há canção,
só um estribilho do som de ti,
longe e arredio,
feito corredeira de rio que não sabe onde vai dar,
qual sertão,
qual a ausência de ritmo que seu jazz descompassou em mim...

B.
BH – verão – 2013.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Acorde-s


Acorde-s

é bom quando você me acorda,
e quando tem música na porta,
parece que dormi com serenata,
seu canto é dia e lua,
e depois que chegas,
na brisa constitui morada,
pois toca de leve em meu corpo inerte à sua navalha,
corta-me os poros,
faz jorrar gotas de paixão,
estende a manhã pela tarde, e o dia, imensidão,
haveria de ter outro mundo pra sua aparição
não existe mesmo e então,
então pra te receber,
ode do amor eterno que faz rima de seu encanto,
cria outra hora pra seu dia,
uma nova estação,
é bom quando você me acorda..

Bernardo G.B. Nogueira
Primavera – 2012