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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

ladeira



ladeira

na ausência de seu jazz,
recorro às esquinas,
que mudam caminhos,
desfazem rotas,
rodamoinhos.
Dentro das páginas dos livros, letras,
de novo, letras,
letras com frases musicais,
que vejo na rua a se estender,
perante os olhares sisudos e mudos dos relógios,
que marcam os dias em que não há canção,
só um estribilho do som de ti,
longe e arredio,
feito corredeira de rio que não sabe onde vai dar,
qual sertão,
qual a ausência de ritmo que seu jazz descompassou em mim...

B.
BH – verão – 2013.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

cada tempo e seu som



cada tempo e seu som

é que fiquei parado por lá,
naquele dia em que passou um cheiro,
senti uma voz e ouvi um toque em meu corpo,
e daquela noite que não se acabou,
sei não se é nostalgia,
se é acaso ou é amor,
nem é do saber essa questão,
não vale a regra e nem tem diapasão,
daquela rua que não se esquece,
do cheiro da lua que não arrefece,
e até dum mar que nem existe,
ficam todas as palavras paradas feito os barcos no cais,
flutuam entre mar vivo e parado,
e é assim depois de seu canto,
tomou meu braço e foi encanto,
tal, que agora, de novo,
sinto o dia caminhar, sem movimentos,
é assim, como partitura e jazz,
adorei suas notas,
e  delas fiz performance,
és agora, pra mim, aurora...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete – verão - 2013