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domingo, 7 de abril de 2013

palavras,crias



palavras,crias

vou escrever-te até o fim dos meus dedos,
declarar o mundo em meus versos,
em poros arregalados, olhar-te,
escrever até esfolar a alma,
deixar nas letras o sangue meu,
criar vida em palavras dançantes,
e embriagar-me delas também,
copular,
confundindo dentro da estrofe,
te chamarei pela tua rima,
e escreverei de novo,
até ouvir-te nascendo como a primavera dentro do poema...

B.

domingo, 31 de março de 2013

cuidado com a idade



cuidado com a idade

casa na árvore,
missão impossível,
beijo roubado,
frio na barriga,
chocolates e chocolates,
namoro pra sempre,
passar a noite acordado,
escrever no papel,
                            poesia,
mudar a estória,
inventar o heroi,
ser o heroi,
morrer pela moça,
caçar no escuro,
correr pela chuva,
chorar escondido,
fingir que é homem,
amar uma musa,
dormir de mãos dadas,
sonhar com gigantes,
matar os moinhos,
amar
e
sonhar...

B.

sábado, 8 de dezembro de 2012

ridículo

ridículo

 
e como é bom ser rídículo nesse caso,
todas as falas sem prender,
ao acaso,
rir e chorar ao mesmo tempo,
sem hora pra voltar, chegar atrasado sem tormento,
não ter uma roupa que se adeque
e bailar feito tonto sobre as regras,
límpidos e bêbados,
infantis e eternos,
com todas as horas perdidas,
ridículo como o palhaço,
ridículo com o cansaço,
entregue, a esmo, sem cessar,
a todo momento cirandar,
partir e não voltar,
isso porque voltar é o mesmo que se vai,
mesmo que voltemos diferentes,
deve-se ir, ir, rir, rir,
soltar a algema e prender pelo olhar,
escrever sem rimas e rimar com a pele,
cantar em um ritmo que não tem,
de maneira que sejamos cada vez mais ridículos,
e quando chegarmos ao cume da montanha,
que saibamos mirar o horizonte e inventá-lo,
descer rolando feito pedras que cortam o vento,
e com toda essa força que quebra qualquer tipo de ornamentação,
beijar enamorados e cândidos sob o aplauso frêmito de ninguém,
pois beijar, amar e ser rídículo são quase sinônimos...

Bernardo G.B. Nogueira
BH...horizontes

quinta-feira, 5 de julho de 2012

ando

ando

de costas para a vida,
vê-la não me convém,
detém meu peito a partida,
dela quero o mel,
não quero a medida
do inferno  e das coisas benditas
indiscutidas,
verdadeiras feito o sol da madrugada,
qual amor em tempo de fachadas,
qual frio em dia ensolarado.

Quero o céu e a esquina, que cria
em cada olhar e em toda trilha,
como fruto de fantasias,
real, esculpida na face do não,
contra a classe e a multidão,
esquivo do tempo e da maldição,
de olhar pra trás...

olhar pra trás!
ollhar pra trás!

Bernardo G.B. Nogueira
BH - inverno

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Do sonho que eu não sei


Do sonho que eu não sei

Hoje eu acordei sonhando,
a vida devia estar pulsando,
e não havia nada,
nada de significação.

O verbo desse sonho,
quero não,
as imagens sem contexto,
p’ra essas dou a mão.

É como se quisesse voltar ali,
sempre, de novo,
novo,
não uma contextualização.

Porque sonho é como visão,
daquela que sabemos,
tem menos paixão.

Do sonho que me acordou,
quero apenas saber o gosto,
do cheiro calmo e esquecido que me trouxe seu rosto.

Bernardo G.B. Nogueira
outono - Itabirito