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domingo, 15 de janeiro de 2012

Paradoxo sou

Paradoxo sou

Sou tão paradoxo que sinto o frio no sol,
sou tão paradoxo que a lua me trás calor,
sou tão paradoxo que vinho me torna lúcido,
sou tão paradoxo que a lucidez me faz esquecido.

Sou tão paradoxo que estar sozinho é qual um diálogo,
sou tão paradoxo que a comunhão me retira a alma,
sou tão paradoxo que o chão me causa incerteza,
sou tão paradoxo que o céu me parece canção.

Sou tão paradoxo que os pingos da chuva esquentam minh’alma,
sou tão paradoxo que a falta deles me trás lágrimas molhadas,
sou tão paradoxo que a secura dos dias me transborda o olhar.

Sou tão paradoxo que de dia sou amante seu e a noite me dá o mundo,
sou tão paradoxo que declamo meus sentimentos, p’ra depois sofrer o arrependimento,
sou tão paradoxo que escrevo para dizer, quando o silêncio é o dito de maior prazer.

Bernardo G.B. Nogueira
Buenos Aires

domingo, 27 de novembro de 2011

Nada é simples

Nada é simples

Por entre chuvas e miradas de sol,
passagens por mares e campos de flor,
solidão e amor silente por entre frestas de lábios,
tristezas constantes e admiração sob meus olhos em dor.

Cenas distantes de um balé etéreo.
Um vacilo de pernas e um novo céu se abre,
desatam-se os nós e a calmaria se deixa ver através da pele inerte,
nenhum suspiro mais se ouve e todo o sentimento resplandece cálido.

Desenganos que nascem com o diálogo,
feitos memoráveis e desditas que se desenrolam.
Acenares de mãos em silêncio às vidas que se recompõem,
momentos vãos e uma alegria juvenil.

Depois da morte consumada.
Sons novos, ações belas e uma toada.
Depois da morte e não mais resta nada,
esculpir a vida, chuva leve e alma lavada.

Nada é simples, nem o balé,
nem a morte, nem a vida, o amor...

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete