Sair de um lugar...
Sei que me deixaste ali,
com o sol, o vento, e a fumaça,
roto em sentimento, mas esperaste,
na forma do trilho sem fim, ali.
Com rota a ermo,
frio e calorento,
sentinela sem tormento,
dormente feito incenso.
Saido de minha paz,
esquecido de minha voz,
machucado e sem foz.
Uma faca modelou a face, ali,
despedida em semblante sem sombra,
antes que a estação partiste, ali.
Bernardo G.B. Nogueira
BH - inverno
Este blog tem como objetivo a publicação, criação e discussão d'lgumas ideias e sonhos...ideias poéticas, filosóficas, romanescas, musicais, teatrais, cinematográficas, artísticas...e de vez em quando, jurídicas...
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sábado, 8 de setembro de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
um...
um...
Pensei que havia um ar em comum
Como flores que nascem da mesma primavera
Feito copo que mata a garrafa
Qual um gole que toma a lucidez
Enquanto cigarro que queima sob uma vista incerta
Depois que a água deixa o leito e deserta
Como a face depois do choro pela fresta
Da janela aberta em chuva insana
Igual palavras de poema que se completa
Em rimas cadentes depois da pele tocada
De jeito que o corpo se entrega
Sem aviso nem conversa
Pelo estranho acaso que se completa
Em notas que se criam em trilhas incompletas
Infante como conquista inédita
Perdido como cheiro que faz festa
De alguma paralela que ao longe espreita
Escondidas fazem seresta
Para surdos de amor em noite mestra
Que nos cria como farrapo que resta
Pelo tempo liberta
Pela falta dele que desespera
Pensei que havia uma vida em comum
Havia vida, mas havia só um...
Bernardo G.B. Nogueira
Ponte Nova - inverníssimo
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Doação
Doação
Ao acordar amava-te mais,
mais e sempre, estranho e mais,
desnudo e crente,
pele, carne e mais.
Depois do sonho tornaste manhã,
em meus poros de criança, maçã,
Pura e mistério, proibida,
minha e estranha, cativa.
Doaste em sonho, um parir,
viveste o encanto, partir,
Em tom silente, foste em mim,
mais bela que o dia em que nasceste
nas notas turvas do porvir,
sua pose infinita, crua, ao longe,
de perto, me fez sorrir.
GB Nogueira – Ponte Nova, outono.
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