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sábado, 8 de setembro de 2012

Sair de um lugar...

Sair de um lugar...

Sei que me deixaste ali,
com o sol, o vento, e a fumaça,
roto em sentimento, mas esperaste,
na forma do trilho sem fim, ali.

Com rota a ermo,
frio e calorento,
sentinela sem tormento,
dormente feito incenso.

Saido de minha paz,
esquecido de minha voz,
machucado e sem foz.

Uma faca modelou a face, ali,
despedida em semblante sem sombra,
antes que a estação partiste, ali.

Bernardo G.B. Nogueira
BH - inverno

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

...as coisas vão para o papel né, e depois eu fico aqui tentando catar os cacos de mim mesmo, sem conseguir, pois estão todos perdidos nas palavras...

Isso e mais um pouco...

Pois quando é mulher,
é igual falou o poetinha,
é necessário um choro,
e é preciso também um monte de decoro.

Ter no rosto, um mar que é triste e é revolto,
no corpo, o rabisco perdido de um porto,
um colo quente, que é repouso,
a pele alva d’um amor puro, puro e ditoso.

Olhos de uma vida que nem é dita,
pela boca, a escorrer uma suave nota que é de sonho,
em suas mãos, amor e poesia,
cabelos e olhinhos de princesa, candura e fantasia.

E nesse céu bonito e revoltoso,
me perco em sua lágrima infinta,
e a enxugar minha vida nessa escrita,
meu tremendo amor, amor pela sua vida, bendita!

Bernardo G.B. Nogueira
Ponte Nova – 23/09/2011