Este blog tem como objetivo a publicação, criação e discussão d'lgumas ideias e sonhos...ideias poéticas, filosóficas, romanescas, musicais, teatrais, cinematográficas, artísticas...e de vez em quando, jurídicas...
sexta-feira, 26 de julho de 2013
...
segunda-feira, 7 de janeiro de 2013
Palavras
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Daqui e de lá
E por serem tantos os caminhos e de tantas cores é que a ventura da estrada faz-se plena. Oscilar como átomos. A incerteza da física nos indica quão fértil é este passeio. É só ver como passeia a bailarina. Sempre indo e vindo. Entre saltos que parecem plumas a pairar. Corpo em movimento. Movimento de todas as partículas quando baila. Desde um oriente inventado até um ocidente cansado. A bailarina é um bom arquétipo de que a imaginação que se tem é a verdade que se pode ter. Nada mais e nada menos. Só invenção. Aparição inaudita. Só a bailarina que tem. Estrela e atriz. Bailarina.
Da imaginação e da realidade o que se tem é a réstia entre o dito e o vem a ser. É sempre nesta tensão que podemos estar. Salvo se de alguma forma nos assemelhemos à bailarina. Pois ela pode tudo. Até não ser bailarina. Restariam choros a solicitar que retorne. Que dance. Que voe. Que flutue e faça flutuar. Que destrua a gravidade e também a falsidade. Que borre a maquiagem de quem assiste. A dela não. Porque nela não há tensão. Isso só pra dizer que pra saber do peito aventureiro, do presente, do passado, da filosofia ou da invenção, talvez se deva esquecer de todo conceito, da coisas certas, da rima pronta e da exatidão, da história que se conta e do relógio que mata. Errar feito a bailarina que faz da vida arte. Que encerra em um passo e um flerte toda a ode de amor, de ódio e de humano.
Todos passaram, ‘o passarinho’ não. Isso só porque ele avoa como a bailarina, porque enquanto quedamos aqui cheios de explicação, com dois mundos, um de verdade e outro que é invenção. Nada de atrito para a bailarina que em seu voo é sublime, esquece que é palco e se apresenta na vida, esquece que é vida e inventa no palco. E quedamos lançados nesta dúvida que parece rio turvo depois da inundação. Menos a bailarina, que passa sem ao menos ver ‘seu vigia catando a poesia que entorna no chão’.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
condenação
domingo, 22 de abril de 2012
Vida, morte ou imaginação
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Não estava ali
segunda-feira, 13 de junho de 2011
Em homenagem ao aniversário de Pessoa...
Falar de Pessoa
Falar de Pessoa...
Falar de Pessoa é já se obrigar a não falar dele mesmo. É admitir falar de outro sabendo que o outro é ele, e assim, igual. Saber que em um se encontram mil, mas saber que esse mil, é já, um só. Um só que se admite entre aqueles vários, que se cria em diversos, e encontra nos outros o traço fundamental de si, ser um, a constituir todos, portanto, sempre a ser mais, e maior.
O fingimento da existência é natural a quem se dá às criações, e mais ainda(!), a quem de sua vida faz ela mesma sua maior obra de arte. Seja em prosa, seja em verso, fica maior a cada “penada” que é dada, a cada rascunhar de si, refletido na ausência de um corpo que é só criação, invenção, portanto. Alienar sua existência na escrita, mas ao mesmo tempo criá-la...sempre!
E a imaginar, de tanto imaginar (!), um só não dá mais para sustentar tanto dizer que sai dali. É preciso o outro para que a imaginação não fique paralisada naquele primeiro pensamento que surgiu daquele primeiro um. É no outro que a imaginação faz florir sua semente, é por ali que ela se vai completar, mesmo que não se acabe, mesmo que sem cessar...
Daí, depois que imagino, já não há mais como controlar...agora já são pessoas e pessoas a me povoar, e preciso delas me libertar, preciso com elas partilhar, pois se não o fizer, fico com uma sensação angustiosa que se assemelha a um artista a interpretar sempre para o mesmo público, sempre com a mesma máscara.
Os sentimentos são tantos, que quando estou a criar nessa minha imaginação fingidora e fantasiosa, as pessoas acabam por se encontrar nesses meus devaneios, e me rio delas quando interpelam como conseguira a elas traduzir tão fielmente..? Ora pessoas!. Não há sentimentos quando estou a escrever ou a poetar, “simplesmente sinto
com a imaginação” e por não me prender a uma pessoa ou a um sentimento, é que acabo por transcender a mim e encontrar você. Por isso preciso de tantas pessoas a me auxiliar...
Mas eu preciso confessar uma cousa...
Tem sempre um momento nesses instantes de imaginação que algo me é ocultado. Pois, enquanto estou poeta e começo a fingir em meio a minhas criações, por vezes, acabo nelas a me perder. Poderia ser um instante de medo, por estar a perder as rédeas de minhas sensações - e a confundir vida e criação – e há não mais saber onde andaria o verdadeiro chão. Mas, não há medo, ora, a existência, aliás, como diria outro poeta também, está à altura do que posso enquanto pensar... ”numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo...” Daí, me deixo ir, ora em companhia de uma pessoa, ora de outra... “Sentir? Sinta quem lê...”
Ah! Já ia me esquecer! Essas pessoas nem existem. E agora me pego a lembrar de que há a necessidade da falta de algo para que ele possa então existir. Verdade! Essas pessoas não existem! Mas é claro! Se existissem, nem poderiam ter sido criadas, pois, quando o pensar se realiza, deixa mesmo de existir. E o poeta, quando realiza seus sentimentos, perde o sentido de seu perquirir. Por isso, pessoas são necessárias, não ao existir, mas enquanto possibilidades de inventar sentimentos ainda não descritos; para neles viver, para deles se nutrir e sobre eles escrever... mesmo que não existam, mesmo que sejam mentira ou fingimento, mesmo que sejam imaginações.
”Dizem que finjo ou minto tudo que escrevo. Não. O poeta é um fingidor.”
Bernardo G.B. Nogueira
Outono frio e real – Itabirito – 2011.
ISTO
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está de pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
Fernando Pessoa
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
Fernando Pessoa