domingo, 12 de maio de 2013

saltar, olhar, saltar ao mar...



saltar, olhar, saltar ao mar...

dar uma breve mirada pelo precipício
e não saltar.
Ver o horizonte,
sentir o vento
 e cheirar o sol,
deixar o aroma
queimar a pele,
não voar e curtir o sonho,
saltar, 
sentir o vento na face
cortar o abismo de mim,
mergulho no sol,
queda livre,
tocar o infinito sempre que houver um beijo,
sem querer a estrada me empurrou,
amar é caminhar sem olhar pro chão...

B.
outono.

“de você sei quase nada”




“de você sei quase nada”

sei pouco dos seus mares,
sei menos ainda de seus ares,
sei tampouco de suas quedas,
sei alhures de seus desvios,
sei pouquinho dos seus choros,
sei menos ainda de seus amores,
sei só que estou em apuros,
depois que foram meus seus olhares...

B.
outono.

ponteiros



ponteiros

viver é assim urgente,
quando vê, já viveu,
quando viver, verá.
E quando não pensar, morte.
E quando morrer, reflita,
o sol da noite que acabou,
pois na noite é que cai aurora,
pra depois fazer cinzas de ti,
banhado pelos olhos que cortaram o corpo,
feito navalha que corta o tempo,
fazendo nascer a vida,
que é urgente como o gozo,
que é demorada como o pesadelo,
amar é urgente e impreciso,
precioso,
“viver não é preciso”...

B.
outono.

entre



entre

pra viver tem que saber bem o morrer,
é no outono que a primavera se inspira,
contempla a morte de si enquanto prepara a vida,
a folha que cai é a primavera esperada,
os galhos solitários dedilham o som que vem,
da flor que nasce quando morre a sombra,
bem ali entre o que foi e  ficou dito,
na ausência da fala, silêncio,
ao fim do silêncio, gemido,
pela fotografia que fere de morte o tempo,
faz nascer a lembrança,
pra cada morrer há uma vida,
e de tanta vida,
a morte talvez seja a saída,
pro amor de ontem deixar seu rastro e partir...

B.

domingo, 5 de maio de 2013

"amar e mudar as coisas"



“amar e mudar as coisas”

escrever poemas pra um só olhar
pra que ele guie,
veredas de mirar,
traços soltos
pra depois bailar
descompassado ao horizonte,
comunhão de nadas,
tudo o que restou sagrado,
foi em versos escrito,
pra depois seguir,
parado naquele dia em que escrevi,
e quando o poema é de uma mirada só,
a direção é invento,
amar é seguir o vento...

B.
outono.