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sexta-feira, 15 de março de 2013

profanação



profanação

pela invençao do seu verbo
canto sereno
desvario,
regato leve, pranto,
desencanto
desacato,
do seu verbo
na minha boca
sedenta,
suave,
mentirosa,
vil e amorosa,
covil sem uma rosa,
de seu verbo,
despedida
sentida
na pele ferida,
noite em silêncio!
                          sem canto,
                          sereno,
                          invento,
                          sonho.

B.
BH – 2013 - verão

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Com amor e simplicidade

Com amor e simplicidade

Por entre um beijo cheiroso no início do dia,
uma fresta de luz nos olhos ternos,
perdidas, as peles entrechocam-se,
um vento harmonioso toma os sentidos e parece que já é manhã.

Do proveito deste encontro ressoam vozes dentro do coração,
por entre distâncias imaginárias os sons dialogam.
As fontes de onde saem os cheiros são as mesmas,
também iguais são os destinos que se criam nessa incerteza.

Barulhos de passos ressoam entre partida e chegada,
formas de sorrisos povoam os lábios enamorados,
em um momento a face, de outro, escarlate,
quando pensei estares distante, escrevi cartas para viajantes.

Desdisse o refrão e a rima foi esquecida,
p’ra um mar ainda não descoberto deixei minhas lágrimas,
descobri entre elas uma nova sinfonia,
silenciei, para, devagar, me embalar em sua harmonia.

De um amanhecer sem pretensão,
um mar imenso e cheio de emoções,
das ondas novas de meus rabiscos:
Escrevo-te um poema, um poema, uma declaração.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Estrada...

Estrada

Agora deve ser a hora de chorar,
há uma imensidão de mim que já se foi,
na estrada com poeira baixa em que desdemos as mãos,
nem havia um pingo de chuva para amainar o sol que tornava o horizonte cego.

Soslaios de olhar,
restos de pegadas,
sussurros de vozes,
o som era o vento.

Quanto tempo coube dentro daquele caminho,
há um nascimento a cada desencontro,
os olhares se tocam como o pincel na tela que cria,
as cores são tintas a esculpir o entardecer, daqui a pouco já é noite.

Folhas amassadas,
frio e madrugada,
abraço forte,
almas irmãs.

Todo aquele distanciar agora possuía uma direção.
O deserto que tinha minha casa foi devastado,
recebi aquele infinito como a visita de um anjo.
Mas fui de leve, passos se tornaram asas.

Voei como uma boca que nunca foi beijada,
tanto amor que nem poderia escrever,
desejo de encontro e medo da chegada,
chorar com o coração é sempre prova de amor.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

É melhor ficar aqui...

É melhor ficar aqui...

Durante um dia inteiro eu fiquei por aqui mesmo,
me deixei a escutar uma canção e colher um raio ou outro de sol,
sentado à beira de mim mesmo sem companhia,
recostado na pedra do tempo que não é imóvel.

Cheiros insistentes e palavras de pessoas, ruídos.
Como tem barulhos durante os dias!
Senti inveja da noite silenciosa, por que não passei uma noite aqui?
Era dia e não poderia evitar os esguios olhares das pessoas sem sinceridade.

Como são bonitas as folhas quando caem da árvore,
se vão despedindo dos galhos enquanto rolam sob o sopro do vento sul.
As folhas deixam nus os galhos parados das árvores que nos contam o tempo,
delas queremos os frutos e as flores, não as marcas da história.

Quando os sentidos se deixam tocar pelo espírito é assim mesmo que acontece,
o diálogo fica amainado e as coisas ditas grandes ficam chatas.
Importa ver o passarinho a cantar para sua pretendida,
o melhor acorde é aquele tocado pela brisa, a melhor pedida, a rosa que desabrocha.

Não tem um jeito e também não tem uma medida,
a cor não é dita e tampouco a temperatura revelada,
pode até ser uma cabana solitária em meio da mata,
mas pode ser só uma pele, um beijo, um amor ou uma serenata.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – de tarde.