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sexta-feira, 15 de março de 2013

profanação



profanação

pela invençao do seu verbo
canto sereno
desvario,
regato leve, pranto,
desencanto
desacato,
do seu verbo
na minha boca
sedenta,
suave,
mentirosa,
vil e amorosa,
covil sem uma rosa,
de seu verbo,
despedida
sentida
na pele ferida,
noite em silêncio!
                          sem canto,
                          sereno,
                          invento,
                          sonho.

B.
BH – 2013 - verão

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Estrada...

Estrada

Agora deve ser a hora de chorar,
há uma imensidão de mim que já se foi,
na estrada com poeira baixa em que desdemos as mãos,
nem havia um pingo de chuva para amainar o sol que tornava o horizonte cego.

Soslaios de olhar,
restos de pegadas,
sussurros de vozes,
o som era o vento.

Quanto tempo coube dentro daquele caminho,
há um nascimento a cada desencontro,
os olhares se tocam como o pincel na tela que cria,
as cores são tintas a esculpir o entardecer, daqui a pouco já é noite.

Folhas amassadas,
frio e madrugada,
abraço forte,
almas irmãs.

Todo aquele distanciar agora possuía uma direção.
O deserto que tinha minha casa foi devastado,
recebi aquele infinito como a visita de um anjo.
Mas fui de leve, passos se tornaram asas.

Voei como uma boca que nunca foi beijada,
tanto amor que nem poderia escrever,
desejo de encontro e medo da chegada,
chorar com o coração é sempre prova de amor.

Bernardo G.B. Nogueira
Conselheiro Lafaiete