Este blog tem como objetivo a publicação, criação e discussão d'lgumas ideias e sonhos...ideias poéticas, filosóficas, romanescas, musicais, teatrais, cinematográficas, artísticas...e de vez em quando, jurídicas...
domingo, 31 de março de 2013
Agora você saberá de tudo...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Pode até não ser, mas...
Pode até não ser, mas...
talvez seja bom não estar aqui,
um infortúnio de sonhos sem fim,
cadências distintas sob um céu cada minuto mais vistoso,
dentro de uma cidade, num olhar, outra distinta...
realidade.
O tempo entremeia ideias reais,
saudade da noite durante o dia,
amor pelo dia quando se ia a noite.
Uma badalada dos sinos e as ruas pareciam sem fim,
caminhadas por entre meu amor,
cada esquina uma antiga paixão que nascia de novo,
encontros eternos com diálogos suspirantes.
Os beijos foram transporte para uma sinfonia radiante,
insatisfeitos, sempre buscavam lábios mais profundos,
enlouquecida, a saudade de novo clamava
pela fresta daquelas vidas, encontro e romance.
Descobrir, caminhar e criar.
Não haveria mesmo nada de passado,
o vinho do dia acariciava meu presente,
em cada página já escrita, um novo rabisco.
Nem sempre com as palavras temos o tempo,
suas fugas revelam o oculto da madrugada,
cada olhar é uma criação,
é assim também com o amor, novo e velho em um instante.
As chuvas são ótimas para tudo isso,
têm pingos que são férteis,
pingos para almas quentes que enfrentam os leões,
de dentro do peito saem as mais lindas ideias.
A pintura e a arte de outro dia são sempre o suficiente,
o cheiro das vidas que não vivenciamos de perto,
tomam o olfato das almas sensíveis que levitam pelo presente,
o passado é o amor que não podemos mais viver
...a menos que todo dia seja uma meia noite.
Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – 03:32...
domingo, 24 de julho de 2011
É possível não ser escritor?
Desistiu de ser escritor
Desistiu de ser escritor. Agora já não mais interessava toda aquela parafernália de obras póstumas de autores consagrados. Nem foram consagrados por ele mesmo.
Decidido, caiu em um mar de certezas. Certeza de que sua escrita não mais seria criticada. Certeza de que sua vida não mais seria destrinchada. Certeza de que aqueles elogios vagos de seus leitores não mais iriam comovê-lo. Decidiu-se por sua vida, pelo menos assim pensou.
Nessa batida do coração, foi ao encontro da nova vida que agora lhe esperava. Que alívio(!), não precisaria mais se perder ao observar os casais apaixonados e dizer sobre o amor, ou a falta dele. A natureza, que por vezes lhe fazia suspirar em poemas inspirados, agora serviria apenas para agradar o olfato dentro da cidade poluída. E a angústia, «ah»(!), esta seria a melhor parte, nem seria percebida, ora, a partir de então, ela não mais seria sua cúmplice na tentativa de desvendar o que fazia seu coração e corpo palpitarem, dançarem músicas antes não escutadas...adeus à estrela bailarina nietzschiana!
Parecia que naquele dia estaria a re-viver. Sentimento estranho a alguém que estava acostumado aos clarões da noite. O dia passava inerte enquanto esperava o novo laivo de torpor para tornar-se escritor e todo aquele processo lhe tomar os sentidos: Sentir, quase transpirar... medo, angústia, e depois, a folha em branco a rir de sua face tresloucada pelo susto que as novas ideias lhe trariam.
Que privilégio(!), pensou. Agora eu posso passar pelas ruas sem que as virtualidades de cada sujeito se transformem em uma história épica em minha larga imaginação. Poderia me concentrar em viver. Viver sem que cada momento pudesse ser fotografado pela lente do escritor e depois revelado em um texto qualquer.
Depois de haver se decidido por não mais ser escritor sentiu a liberdade que antes as palavras lhe roubavam. Sentiu a paz que os brados dos pensamentos não lhe davam.
Sentiu também, saudade do tempo que perdeu a escrever. Sentiu vontade de escrever que não deveria ter escrito nada. Percebeu que não podia deixar de sentir. Percebeu que quando voltasse ali não seria mais ele. Não seria escritor. Sentiu vontade de estar ali novamente. Sentiu vontade de novo. Sentiu vontade de escrever sobre quem ele havia se tornado quando deixou de ser escritor.
Sentiu vontade de escrever...
Bernardo G.B. Nogueira