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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Pode até não ser, mas...

Pode até não ser, mas...

talvez seja bom não estar aqui,
um infortúnio de sonhos sem fim,
cadências distintas sob um céu cada minuto mais vistoso,
dentro de uma cidade, num olhar, outra distinta...

realidade.
O tempo entremeia ideias reais,
saudade da noite durante o dia,
amor pelo dia quando se ia a noite.

Uma badalada dos sinos e as ruas pareciam sem fim,
caminhadas por entre meu amor,
cada esquina uma antiga paixão que nascia de novo,
encontros eternos com diálogos suspirantes.

Os beijos foram transporte para uma sinfonia radiante,
insatisfeitos, sempre buscavam lábios mais profundos,
enlouquecida, a saudade de novo clamava
pela fresta daquelas vidas, encontro e romance.

Descobrir, caminhar e criar.
Não haveria mesmo nada de passado,
o vinho do dia acariciava meu presente,
em cada página já escrita, um novo rabisco.

Nem sempre com as palavras temos o tempo,
suas fugas revelam o oculto da madrugada,
cada olhar é uma criação,
é assim também com o amor, novo e velho em um instante.

As chuvas são ótimas para tudo isso,
têm pingos que são férteis,
pingos para almas quentes que enfrentam os leões,
de dentro do peito saem as mais lindas ideias.

A pintura e a arte de outro dia são sempre o suficiente,
o cheiro das vidas que não vivenciamos de perto,
tomam o olfato das almas sensíveis que levitam pelo presente,
o passado é o amor que não podemos mais viver

...a menos que todo dia seja uma meia noite.

Bernardo G.B. Nogueira
Itabirito – 03:32...