sexta-feira, 26 de julho de 2013

depois de sonhar



depois de sonhar

já sinto seu beijo,
batendo as portas do céu,
namorando as nuvens que me trazem sombra,
fazendo barulho de trovão em minh’alma,
trazendo a chuva pra regar meu calor,
brotando luz pelas retinas enamoradas,
de sua onda que quebra em meu corpo,
levando minhas mãos por um breve desatino,
de bravio som feito flauta dos elfos,
que cantam rock pelo sensível torpor que me embala,
levando meu lábio ao infinito,
como a vista que traz o mar,
vomo a sombra que é seu corpo
sobre o meu que agora é sopro,
de um nascimento que foi primavera,
que agora insiste em balançar minha vela,
de navegador perdido
do rio seu,
de quimera...

B.

estar e não, inventar



estar e não, é inventar


não importa o lugar,
estar ou não?
Foi e virá,
o vai e vem de se colocar,
em e entre,
aqui e acolá,
todas as estreitas vias para se postar,
entrelinhas é um lugar,
entrementes não falar,
a linha escrita, outro mirar,
de um local que não há.
Por entre margens também é de se colocar,
num tenso momento,
aquele de estar
em um lugar,
que se escrever e que se dá,
mesmo que sem linhas,

 mesmo que depois de ficar
em cada esquina que se aproxima,
e um próximo passao que se dará,
mesmo que pro abismo,
mesmo que pra não voltar.
Ir e vir,
ficar?
Quando sonhamos estamos a estar
fora da realidade,
a criar
todo lugar é um meio,
entre o que se diz e o que calar,
entre o último suspiro e o azar,
estando é que se esta,
quando não escrever mais,
tudo de mim restará,
mesmo sem estar...

B

.

poema da devoção



poema da devoção

você me joga do precipício,
aí é o que me resta,
estar entre o sol azul da manhã de outono,
a noitinha do inverno com neblina
e cheiro de pólen por debaixo da soleira,
pra saber que ali mora flor,
pela fresta,
nasce
vive e morre,
depois avoa pela primavera,
nova e aurora,
feito festa,
a cantar, feito flor,
quando me empurra pro precipício seu...

B.

descoberta



descoberta

mas eu quero mesmo é amar,
assim, sem mesmo saber o que é,
revolucionariamente deixar pétalas caírem de minhas armas fortes,
manter teso o instinto em direção a ele,
incondicionalmente,
até mesmo quando chover,
molhado e quente, nunca adormecer
pra que o sonho seja acordado,
deixar pra trás aquelas todas explicações e chorar sempre que houver lágrima,
pintar muros e fazer poesia,
aprender a cozinhar e fazer coisinhas,
o amor pede isso, e o poetinha já também nos ensinou,
é isso, de ontem em diante vou querer mesmo é essa coisa de amar,
e assim, no dia que essa límpida noite de outono tocar sua janela,
estarei ali, esperando, como um cavaleiro andante a vencer todas os moinhos
só pra alcançá-la e contar a verdade:
quero só amar!

B

destino



E o destino se realizou
como de há muito havia avisado
sentado ali
à beira do passado
suicidou-se num futuro
cada um pr’um lado
na hora acertada,
vida é desviar-se...

B.
sem a hora no outono