Do fim, do amor
(A Pablo Neruda)
Com febre do pranto,
de sua boca
insana, com que me bebeste.
Com febre reclamo,
ausência,
engano, meu dano.
Com febre partilho
o profano amor,
desmedido e sem cor.
Com febre inflamo,
em seu corpo sem dor,
pela sua pele, ardor,
da noite clara, torpor.
De febre deliro,
sob tua boca em movimento,
seu olhar, meu incenso,
seu desvio, tormento.
Com febre me jogo
em seu abismo,
infinito e completo,
desmedido e possesso.
Com febre me mato!
Sem saber!
Do amor!
De amor!
Bernardo G.B. Nogueira
Inverno – Conselheiro Lafaiete